Regional

Carcereiros frustram tentativa de fuga

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu ? Durante vistoria de rotina na Cadeia Pública de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), carcereiros de plantão localizaram duas grades serradas em uma das celas, que está desativada desde dezembro, e frustraram o que poderia ser parte de um plano de fuga. A polícia acredita que os presos pretendiam entrar no xadrez para render funcionários durante a inspeção diária do local. A unidade, que possui capacidade para abrigar 60 detentos, conta hoje com 100. O delegado Geraldo Franco Pires, que é diretor da cadeia, reclama dos salários e das condições de trabalho (leia mais abaixo).

O fato ocorreu anteontem, quando carcereiros perceberam uma movimentação atípica na unidade. "Nos batemos grade duas vezes por dia para conferir se alguma delas está cortada", conta o delegado.

Além disso, ele revela que os policiais entram nas celas pelo menos duas vezes por dia para verificar se existem buracos nas paredes ou no chão. "E por conta dessa cautela, os carcereiros perceberam uma movimentação diferente em uma cela que está interditada, a de número cinco", afirma.

De acordo com Pires, ao checar as grades do xadrez, funcionários perceberem que duas delas haviam sido serradas. "Eles serram e colocam no mesmo lugar. A aparência que dá é de que elas não estão serradas", diz. "Mas nós percebemos a movimentação dos presos, antevemos a situação e fizemos a abordagem".

O diretor acredita que os detentos queriam entrar na cela desativada para surpreender o carcereiro que vistoria o local diariamente e obrigá-lo a abrir os cadeados das demais celas. "Os presos, sabendo que da forma normal e dos meios mais usuais de tentativa de fuga não iriam conseguir porque a atenção está redobrada, tentaram um plano inusitado", declara.

O delegado explica que, por se tratar de um xadrez que está inutilizado desde dezembro do ano passado, quando ocorreu uma tentativa de fuga na cadeia, seria difícil prever que algum preso tivesse a ideia de esconder-se no local. "Os presos perceberam que, desde dezembro, quando os policiais entram nessa cela que está inutilizada, já entram desarmados de espírito", avalia.

Após detectarem o problema, funcionários da cadeia acionaram a polícia e realizaram uma operação pente-fino nas celas, apreendendo diversos objetos pontiagudos, semelhantes a uma faca (chamados de "chuchos"), além de serras de 8 a 10 centímetros de comprimento que, segundo a polícia, entram na unidade levadas pelas visitas.

O diretor da cadeia explica que já aplicou penalidades administrativas aos presos como punição pela tentativa de fuga. Já as investigações sobre a autoria do fato ficarão a cargo do 4º Distrito Policial (DP), que instaurou inquérito policial. De acordo com Pires, as grades da cela número cinco já foram consertadas, mas o local permanece interditado por conta dos problemas surgidos em dezembro.

Na ocasião, detentos que estavam presos no xadrez cinco fizeram um buraco no teto que transpôs a laje e chegou perto do telhado. "Para reformar a laje, nós precisamos trocar o telhado. Está sendo feito pela Polícia Civil todo um processo burocrático para trocar o telhado da Cadeia Pública de Botucatu", adianta o delegado. Ainda não há prazo para que ela volte a ser utilizada.

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Atenção redobrada


Segundo o diretor da Cadeia de Botucatu, o delegado Geraldo Franco Pires, além da quantidade de presos, que já atinge quase o dobro da capacidade da unidade, outro fator colabora para que os policiais redobrem a atenção durante a vistoria das celas. Atualmente, cerca de 90% dos detentos que estão no local são da região de Itapetininga. "Nós não temos mais, aqui em Botucatu, presos nossos. São 10 presos que nós temos. Todos os outros 90 detentos são de fora", afirma. "Isso nos traz preocupação e a cautela, que já era redobrada, é maior ainda".

"O preso de fora não tem compromisso nenhum com a cadeia e nem com o funcionário porque ele já está distante da casa dele 250, 300 quilômetros. Para ele, se ele sair dali e for para Presidente Prudente ou para Ribeirão Preto, está tudo certo. Os presos nossos, que teriam maior cuidado, que teriam maior reserva em participar de uma tentativa de fuga ou rebelião não estão aqui com a gente".

Apesar de destacar o trabalho que vem sendo feito pelos policiais civis, mesmo com a situação precária da cadeia de Botucatu, o diretor reclama do salário pago à categoria hoje no Estado, sobretudo aos delegados. De acordo com ele, que é sindicalista e diretor da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, a remuneração é a mais baixa do Brasil e precisa ser revista com urgência. "Uma greve poderá estourar a qualquer momento", aponta.

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