A ministra da Pesca e Aquicultura, Ideli Salvatti, apontou no México a aquicultura como um instrumento eficaz na luta contra a fome e a miséria. A declaração foi feita na semana passada, na primeira reunião do ano dos países membros da Rede de Aquicultura das Américas (RAA), em Cancun, no México.
A ministra defendeu o maior número de intercâmbios entre os países para gerar mais renda, inclusão social e desenvolvimento sustentável. Ela aproveitou a oportunidade e falou da importância da Rede na transferência de tecnologia entre os países membros.
"Estamos convencidos de que a cooperação entre nossos países, no âmbito da Rede, irá promover o acesso à transferência de tecnologias, a diversificação da produção e o aumento da renda oriunda da atividade aquícola", disse.
Segundo ela, é preciso somar esforços para ampliar a abertura de novos mercados no cenário internacional. Apenas no Brasil, a produção de pescado em cativeiro (aquicultura) saltou de 280 mil toneladas ao ano, em 2007, para 460 mil toneladas, em 2010, o que significa um crescimento de 64% em três anos. A expectativa do Ministério da Pesca e Aquicultura é fechar o ano de 2011 com números superiores a 500 mil toneladas ao ano. Apesar do crescimento, Ideli afirma que o País tem capacidade para produzir muito mais que isso.
Na avaliação dela, a organização e a união do grupo são urgentes. "Estamos trabalhando em estudos e nas pesquisas com a proposta de incrementar o setor e atrair mais divisas para os países produtores". Para a ministra, a troca de informações e cooperações técnicas foram os pontos altos do encontro. "O Brasil conta com uma costa de mais de 8.500 quilômetros, além da maior bacia de água doce do mundo, e é fundamental o fortalecimento da Rede dos Aquicultores na troca de tecnologia e ações de capacitação", frisou a presidente da RAA.
Interesse comum
Por ocasião da reunião do Conselho Diretor e Comitê Técnico da Rede de Aquicultura das Américas, a ministra Ideli Salvatti esteve, na semana passada, com o comissionado nacional para a pesca e aquicultura do México, Ramón Corral Ávila.
No encontro, foram identificados assuntos de interesse comum, tanto no campo da pesca como da aquicultura. Houve acordo em aprofundar uma agenda que envolve, entre outros temas, o da necessidade de diminuir o custo das rações, a tecnologia em cultivo de peixes tropicais, troca de informações sobre técnicas de monitoramento, técnicas de captura e produção de atum em cativeiro.
Mais agilidade
A produção de pescado em cativeiro (aquicultura) é considerada estratégica para manter o crescimento no setor. Em visita ao presidente do Senado, José Sarney, no mês passado, a ministra da Pesca e Aquicultura, Ideli Salvatti, solicitou a rápida tramitação de projetos que podem agilizar a concessão de licenças ambientais e assim estimular a produção de pescado em cativeiro no Brasil.
Um dos projetos em tramitação delega aos estados o licenciamento ambiental, o que poderia contribuir para a instalação de parques aquícolas em usinas hidrelétricas. De acordo com a ministra, se for permitida a instalação de redes em tanques de usinas hidrelétricas já existentes, a produção de peixes no País poderia ser equivalente à da China, maior produtora mundial.
"Se tivermos agilidade nas licenças ambientais, rapidamente, o Brasil poderá multiplicar sua produção de pescado", explicou.