Sabemos que a comunicação é inerente ao ser humano, todavia, o que se tem comunicado? Eis a questão! Neste mundo midiatizado, repleto de signos, a comunicação tem estado cada vez mais ampla, sem fronteiras, sem limites. Mas, nem por isso, mais eficiente. Comunicar-se tem sido ainda um grande problema para muitos... O pior ainda está na comunicação midiatizada, onde as habilidades metalinguísticas estão dissociadas das práticas comunicacionais meramente racionais, levando-nos à especulação, à idealização, à notoriedade facilitada, à cristalização de falsos valores.
Se a comunicação e seus aparatos tecnológicos atuais servem-nos com a aproximação de pensamentos (corpos e mentes), poderá arejar as concepções, o pensamento humano?
Não é bem isso o que se vê. A comunicação midiática e a tecnologia têm servido à perpetuação de intenções institucionalizadas, grandes empresas continuam a vender ilusões, os acordos ainda são feitos, há preservação de interesses...
Trocar informações, estabelecer vínculos (efêmeros ou não), criar possibilidades de conhecimento mútuo e aculturamento, promessas de uma comunicação veloz e tão eficaz. Porém, é preciso que a mesma não se torne para nós um mito, visto que as tecnologias já tem assumido esse papel conforme tem nos alertado Norval Baitello. É preciso arejar a comunicação midiática, dizer um basta às programações repetidas, "reality shows" nada inusitados, onde mudam-se nomes e títulos. Big Brother 1,2, 3... Fazenda 1, 2, ... O que mais virá?
Faz-se necessária a criatividade, a transgressão para que a inovação aconteça. Não aguentamos mais os mesmos papéis, as mesmas facetas e caras velhas vestidas em roupagens novas. É preciso que a mídia seja arejada por ideias criativas e assim, a comunicação que já está ao reboque da tecnologia, consiga enfim cumprir seu papel: um espaço de compartilhamento, de aproximação e reflexão das ações humanas.
Rosana Utida