Internacional

Japão nega radiação ?extremamente alta? na usina Fukushima

Folhapress
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Tóquio - Autoridades japoneses negaram ontem que a piscina de armazenamento de combustível usada no reator 4 da usina nuclear de Fukushima não teria mais água, o que geraria níveis de radiação "extremamente altos", conforme foi dito pelo chefe da Comissão Reguladora Nuclear americana (NRC), Gregory Jaczko.

A agência de segurança nuclear do país e a companhia Tokyo Electric Power - que opera as seis unidades do complexo nuclear de Fukushima- rejeitaram as afirmações.

De acordo com o porta-voz do complexo Hajime Motojuku, as condições são "estáveis" na unidade 4, que está fechada desde o terremoto de magnitude 9 seguido de tsunami da última sexta-feira.

Mais cedo, no entanto, outro porta-voz havia admitido que o nível das piscinas seria a principal preocupação. "Não pudemos avaliar a condição das piscinas. Não temos os dados mais recentes sobre temperatura, nível e outras informações sobre os quatro reatores", afirmou Masahisa Otsuki.


Radiação alta


"Nós acreditamos que a região do reator possua altos níveis de radiação", disse Jaczko, sem dar detalhes de como as informações teriam sido obtidas. A NRC e o Departamento Americano de Energia enviaram especialistas nucleares ao Japão.

"Será muito difícil que trabalhadores de emergência consigam chegar até o local. As doses (de radiação) às quais eles podem ser expostos seriam potencialmente letais em um período curto de tempo", acrescentou. No entanto, ele ressaltou que a NRC tem "acesso limitado" ao que está acontecendo no Japão, e se recusou a especular mais sobre o assunto.

Mais cedo, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que houve danos nos núcleos dos reatores 1, 2 e 3 do complexo. A agência não detalhou a gravidade dos danos, mas afirmou que não se pode dizer ainda que a situação esteja "fora de controle".

"A situação evoluiu e é muito séria", disse, em Viena, Yukiya Amano, diretor-geral da AIEA. Ele afirmou que a empresa operadora da usina, a Tokyo Electric Power Co., "está fazendo o máximo para restaurar a segurança dos reatores".

A preocupação é que o reator 3 é o único da usina que usa plutônio como combustível. Segundo pesquisas do governo norte-americano, o plutônio é muito tóxico para os seres humanos, e uma vez absorvido na corrente sanguínea, pode permanecer por anos na medula óssea ou no fígado e até mesmo causar câncer.


Preocupação nos EUA


A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que a crise nuclear no Japão suscita questões sobre o uso da energia nuclear nos Estados Unidos.

"O que está acontecendo no Japão levanta questões sobre os custos e os riscos associados à energia nuclear, mas temos que responder a isso", afirmou Hillary em entrevista à MSNBC.

"Atualmente nós obtemos 20% de nossa energia nos Estados Unidos da energia nuclear", acrescentou ela, enfatizando a necessidade de uma política energética abrangente nos EUA.

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Neve no nordeste do Japão atrapalha buscas


Sendai - Uma forte nevasca atingiu ontem no Nordeste do Japão, já devastado pelo terremoto e tsunami da semana passada. A neve atrapalha os trabalhos de equipes de resgate e aumenta as dificuldades das pessoas, a maioria delas idosas, que ainda permanecem na região.

Em Sendai, que já foi uma cidade, mas agora é uma área devastada e inundada, bombeiros e equipes de ajuda trabalhavam em meio aos escombros para encontrar algum sinal de vida. Mas, assim como em outras cidades, as equipes retiravam apenas corpos e mais corpos. "O forte cheiro de cadáveres e a sujeira das águas do oceano torna o trabalho de busca muito difícil", disse Yin Guanhhui, membro de uma equipe de resgate chinesa que trabalha na cidade de Ofunato.

"As potentes ondas do tsunami atingiram repetidamente as casas na região. Qualquer um preso sob os escombros se afogaria sem nenhuma chance de sobreviver."

A mídia japonesa informou que pelo menos duas pessoas foram retiradas vivas dos escombros, mais de 72 horas depois após o terremoto e o tsunami. Mas autoridades responsáveis pelo resgate disseram que a nevasca diminuiu as chances já reduzidas de encontrar mais sobreviventes.

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Imperador faz discurso na TV


Tóquio - O imperador Akihito, do Japão, fez ontem um discurso transmitido pela TV lamentando o terremoto seguido de tsunami ocorrido no nordeste do país. Ele demonstrou ainda preocupação com os problemas enfrentados na usina nuclear de Fukushima 1. Este foi o primeiro dele, que tem 77 anos, feito para a televisão em todo o seu reinado.

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Medo de radiação esvazia ruas de Tóquio


Tóquio - O local mais movimentado de Tóquio ontem era o aeroporto - onde milhares de estrangeiros tentam deixar o Japão, com medo de contaminação por radiação.

A capital, que enfrenta problemas de transporte e energia elétrica, está com as ruas vazias desde segunda-feira. O racionamento de energia elétrica continuou anteontem e em outras oito províncias nas proximidades.

A paralisação e os atrasos em algumas linhas de trem e metrô e o medo de contaminação radioativa fizeram muitas empresas darem folga aos funcionários - o que colaborou para deixar as ruas vazias.

Funcionário de uma fábrica que produz bancos para carros, Felipe Murakami, 22, está sem trabalhar desde o terremoto. "Na noite de sexta, após o terremoto, fomos avisados que não iríamos trabalhar a semana toda, pois a Honda tinha cancelado a produção??, explica o brasileiro que vive em Konosu. A empresa em que ele trabalha fornece bancos automotivos para a montadora. "Sem energia, não tem como a fábrica funcionar??.

Apreensivo com os tremores e também com a ameaça radioativa, Murakami confessa que já pensou em voltar ao Brasil. "Infelizmente, apesar da vontade, não posso voltar", disse.

O comércio está parcialmente fechado, bancos estrangeiros não funcionam e a maioria das escolas públicas não abriu.

A maior parte das pessoas está abrigada em casa, com medo da radiação, que aumentou ontem após a explosão de hidrogênio em um reator, mas já havia voltado praticamente ao normal ontem.


Aeroporto


Hoje, governantes de diversos países, como a França, a Austrália, a Sérvia e a Croácia, orientaram seus cidadãos a saírem de Tóquio e das regiões afetadas pelo terremoto e a seguirem em direção às províncias ao sul do arquipélago.

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Brasileiros resgatados chegam a Tóquio


Tóquio - Um comboio organizado pelo Itamaraty para retirada de brasileiros de Sendai e Fukushima chegou na manhã de ontem (noite no horário do Japão) na capital do país.

Segundo o Ministério de Relações Exteriores, foram levados 25 brasileiros até Tóquio. Eles estavam em Sendai, região mais atingida pelos terremotos e tsunami, e em Fukushima, próximo da usina nuclear que apresenta vazamento.

Foram usados na viagem dois ônibus, um caminhão para levar as bagagens e uma van de apoio.

Os veículos foram cedidos pelo empresário Walter Saito, que ajuda a coordenar o resgate.

A missão deve voltar para as regiões de Sendai e Fukushima para buscar cerca de 15 brasileiros que não puderam ser trazidos ou localizados.

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