Se você, como eu, por inúmeras vezes passou rapidamente por Porto Alegre (RS) sem lhe dedicar um olhar mais atento não sabe o que está perdendo. Porta de entrada para as incursões ao mundo do chocolate, da arquitetura em estilo enxaimel, das hortênsias e araucárias (Gramado, Canela e Nova Petrópolis), Porto Alegre é uma cidade com muitas faces que precisam ser descobertas lentamente. Seja no Parque da Redenção, junto à Usina do Gasômetro, nos bares e pubs, nos estádios do Grêmio ou do Beira Rio ou caminhando pelo centro histórico.
Terra de gaúchos cultos de dar inveja - Mário Quintana, Érico e Luís Antônio Veríssimo e Iberê Camargo, entre tantos outros - Porto Alegre é dona de uma beleza única, emoldurada pelas águas do Guaíba, o vasto lago que, no pôr-do-sol, se torna mais belo.
Respira e exala cultura. Possui 96,55% da população alfabetizada e abriga mais de 20 instituições universitárias.
O último relatório Doing Business, elaborado pelo Banco Mundial (Bird) apresenta Porto Alegre nas primeiras colocações entre as cidades brasileiras com mais facilidades para as atividades empresariais, inclusive à frente de São Paulo, o maior centro financeiro e de negócios do País.
Verde que te quero verde
Porto Alegre é também uma cidade verde, especial para ser curtida no verão ou no inverno. Não faltam parques. Incluindo o da Redenção, ponto de encontro da população, também conhecido como Farroupilha.
Seu tamanho é impressionante: são 370 mil metros quadrados de área, que abriga um minizoológico, lago com pedalinho e parque para as crianças.
O gostoso é visitá-lo nos finais de semana, principalmente aos domingos, quando a criançada faz a festa e os crescidinhos fazem compras e se divertem no conhecido Brique da Redenção, uma feira imensa que ocorre sem interrupções, aos domingos, desde abril de 1982. Ou seja, há quase 29 anos.
Artesanato, antiguidades, coisas que você jamais encontrou em sua cidade, estão ali expostos por quase um quilômetro na avenida José Bonifácio.
Caminhe sem olhar o relógio para se inteirar com o jeito portoalegrense de ser. Observe cada detalhe da feira, converse com os populares, compre o Zero Hora para ler mais tarde, ouça música e coma quitutes quentinhos, recém saídos dos tachos sobre o fogo.
A importância
do chimarrão
Luiz Rotili Teixeira, mais conhecido como o Gaúcho do Aeroporto, que recepciona os turistas que chegam no "Salgado Filho", em Porto Alegre, sabe a importância que o chimarrão tem para seu povo. Tanto assim que anuncia o lançamento de um livro sobre a lendária bebida. O chimarrão surgiu na Colômbia, foi descoberto pelos espanhóis no século 16, em Assunção, no Paraguai, em Gruiarã, junto aos índios guaranis e logo conquistou os moradores da fronteira. Dizem que os gaúchos começaram a usar a erva depois de descobrirem que ela era tiro e queda para curar a ressaca. "Muitos acham que o chimarrão é apenas uma bebida preparada com erva-mate e sorvida por uma bomba metálica em uma cuia de porongo. Esta é uma definição correta, mas ele é bem mais que isso", conta o Gaúcho.
Existe até um "dicionário" próprio designando cada elemento necessário para se tomar o chá. Enchedor (aquele que prepara o mate); lavado (chimarrão feito com erva mate já usada várias vezes); termo (garrafa térmica); matear (sair com a garrafa térmica, a cuia e a erva) por aí.
Estando lá, saiba como se comportar numa rodada de mate. O chimarrão corre pela direita e deve ser estendido com a mão direita. Chimarrão servido com a mão esquerda significa que a pessoa não é bem-vinda. A roda pode iniciar-se a partir do mais velho ou alguém a quem se queira homenagear.