São Paulo - Em evento ecumênico ontem, na Liberdade, em São Paulo, o reverendo budista Kensho Kikuchi, 73 anos, acusou a "prepotência humana na busca de dominar a natureza e ter cada vez mais comodidades" como parte da causa da tragédia que vive hoje o Japão, com os acidentes na usina nuclear da província de Fukushima após o terremoto seguido de tsunami (leia mais na página 23).
Ele é presidente da Federação das Escolas Budistas do Brasil, e foi o primeiro entre os três líderes religiosos presentes a transmitir mensagens de solidariedade e fazer orações.
O padre Paulo Go Kurebayashi, 33 anos, que representou a Igreja Católica, leu um trecho do livro do Apocalipse da Bíblia, afirmando que se tratava de mensagem de esperança. Pedia que Deus "acolhesse as vítimas da tragédia", e desejou "felicidade aos que ficam", apesar de tudo.
Já o pastor Mitsu Nagaki, representando as igrejas evangélicas, leu o salmo 90 da Bíblia, evocando a fugacidade da vida. A força dos imigrantes japoneses no Brasil também foi lembrada.
Os líderes cristãos fizeram seus discursos tanto em japonês como em português (com sotaque); e o budista, que vive no Brasil apenas desde novembro, falou em japonês e depois uma tradução foi lida pelo mestre de cerimônias.
O cônsul-geral do Japão em SP, Kazuaki Obe, precedeu os líderes religiosos com um discurso, relembrando que os terremotos, tsunami e perigo nuclear, juntos, representam "a maior tragédia no Japão, desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)".
No final do evento, flores brancas e crisântemos foram entregues aos presentes e depositadas em mesa diante do palco, como símbolo de solidariedade às vítimas.