Inquieto e cansado de conviver com os problemas de famílias desestruturadas baterem em seu gabinete para relatar o problema de droga, o juiz da Comarca de Agudos, Adilson Aparecido Rodrigues Cruz, decidiu iniciar a campanha antidroga, a qual qualifica de "ambiciosa" por envolver professores, centenas de estudantes e a comunidade em geral.
"O projeto surge com o cansaço meu. As pessoas chegavam aqui, relatava a situação que não sabia mais o que fazer no enfrentamento das drogas. Noventa e nove por cento do problema caía aqui. Acontecia de ter que internar, não tinha vaga nas instituições, as pessoas recusam o tratamento. Diante disso, pensei em fazer esse projeto de prevenção", conta o juiz em seu gabinete na sala de audiência.
A ideia foi concebida de trabalhar a prevenção inicialmente, no plano secundário envolver as lideranças comunitários e o terciário o de encaminhamento do paciente para tratamento.
Durante mais de 12 meses, o juiz foi às escolas, ganhou apoio de professores, comércio e entidade em geral.
O foco é a escola pública estadual na faixa de 12 até 20 anos, através de supervisão de ensino e auxílio dos professores. Iniciou-se com uma pesquisa para saber como está a situação das drogas, depois promoveu-se debates, encenações de peças e várias ações educativas com viagens a Bienal e até para assistir peças de teatro na capital.
À medida que a escola foi respondendo positivamente ao projeto houve premiação ? sorteios de notebooks a alunos e professores ? para incentivar a participação. "Valorizar o aluno para elevar a autoestima, para mostrar o que ele faz tem valor. Não ficar no clima ?depre? que, de repente, ele pode ir para as drogas", conta o magistrado.
Neste primeiro ano, Cruz afirma que o ganho é a visão de prevenção da droga. "Antes tinha um texto pronto, estereotipado ? com os moldes projetados pelos outros ? que vinha dos professores para os alunos para dizer que a droga mata, ela ruim, que a droga faz isso... O discurso é outro: você ouve o adolescente, faz torneio de debates, você dialoga com o adolescente e, a partir do que ele fala, o professor faz a direção", afirma o juiz.
Cruz diz que busca-se, neste primeiro momento, uma prevenção concreta ao não uso de drogas àqueles que não tiveram contato direto/pessoal com as drogas.
Segundo ele, no aspecto secundário, o profissional de educação deve saber identificar que se há o consumo de drogas e, no diálogo aberto, saber as razões, respeitando o aluno e, na capacitação, ter argumentos lógicos e coerentes. "A prevenção secundária é com apoio de setores da comunidade à família e ao adolescente ? a escola orienta o adolescente e família à rede social e de saúde do município. A meta é ambiciosa, mas os frutos devem ser colhidos a longo prazo, afinal o cenário atual é desolador: há 1,2 milhão de usuários de drogas no Brasil, conforme estudo divulgado recentemente pelo psiquiatra Pablo Roig.