O texto de Rafael Ribeiro publicado neste último sábado, intitulado "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", saiu em defesa do pensamento iluminista difundido e concretizado pela Revolução Francesa. Segundo palavras do autor do texto, "não precisa estudar absurdamente para compreender os princípios liberdade, igualdade e fraternidade (...) Estes princípios são inatos, precisa apenas de um pouco de combustível (vontade de mudar) para acender ainda mais a chama da democracia".
Por ignorância ou simplesmente por falta de compreensão histórica, o autor acaba por defender as raízes do pensamento totalitário. Engana-se, caro Rafael, quando diz que não é preciso "estudar absurdamente" para entender aos franceses nesse momento. Foi por conta da defesa da igualdade levada às últimas conseqüências que a Revolução Francesa instaurou o chamado Período do Terror, que consistia em decapitar qualquer pessoa que não concordasse com o sistema implantado por Robespierre. Eis os conceitos iluministas colocados em prática. Esse foi o germe responsável, mais tardiamente, pelo nascimento de regimes como o fascista e nazista.
Em relação à democracia, já dizia Alexis de Tocqueville, em seu magnífico livro "Da democracia na América", que defendemos mais a liberdade quando impedimos que um governo entre no cotidiano das pessoas do que quando definimos a "Liberdade" em grandes ideias ou políticas públicas.
Devemos permanecer em constante alerta para esse tipo de pensamento mascarado como o da Revolução Francesa. Por trás disso tudo pode existir uma forma de tirania invisível.
Flávia Arielo, professora de História