Bairros

Em Bauru, Saúde da Família está estagnada desde 2006

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

De outubro de 2006 a março de 2011, o Programa Saúde da Família (PSF) não evoluiu em termos estruturais nem em abrangência populacional. Mesmo depois de passados mais de quatro anos e da população ter saltado de 332.097 para 346.612 pessoas, o PSF ainda conta com as mesmas sete equipes de atenção básica à saúde da família e quatro equipes de saúde bucal implantadas em 2006, o que significa que, na cidade, apenas 7% dos moradores têm acesso ao programa.

A falta de espaço físico adequado para abrigar novas equipes é, segundo o secretário municipal da Saúde, José Fernando Casquel Monti, a principal justificativa para a estagnação do projeto.

"Herdamos uma rede de atenção básica à saúde do início da década de 90 e, portanto, muito deficitária. Nestes anos de governo, estudamos como e onde poderiam ser instaladas novas Unidades de Saúde da Família. Agora, estamos na fase de licitação das obras", justifica o secretário.

As verbas para ampliação do programa são outro obstáculo a ser transposto. É que a implantação de novas unidades de atendimento depende exclusivamente de investimento por parte do município, já que o Ministério da Saúde repassa as verbas somente para a manutenção da estrutura de PSF já em funcionamento.

Por mês, o governo federal destina ao PSF de Bauru R$ 128.458,17, valor que pode ser utilizado em insumos e salário das equipes. Em contrapartida, a prefeitura desembolsa R$ 194.435,99, dinheiro que representa 60% do total de verbas.

"Bauru precisa, primeiramente, se estruturar e deixar tudo preparado para a chegada de novas equipes para, somente depois, poder contar com ajuda do Ministério da Saúde", explica Fernando Monti.

Considerado um dos principais instrumentos de política básica de saúde do governo federal, o PSF funciona com equipes compostas por, pelo menos, um médico generalista, um enfermeiro e seis agentes comunitários, sendo que cada equipe atende no máximo 4 mil pessoas. Além disso, equipes de saúde bucal, que têm cada uma, no mínimo, um dentista e um auxiliar de consultório dentário, podem agregar ao trabalho.

As equipes marcam visitas domiciliares, acompanham a saúde dos moradores, realizam trabalho de prevenção e passam a conhecer a rotina dos pacientes, tornando o atendimento mais humanizado e com custos menores, além de reduzir o número de usuários em postos de saúde e hospitais.

Em Bauru, o PSF foi implantando em 2002 e inicialmente atendia somente aos moradores da região do Núcleo Pousada da Esperança 1, que compreende cerca de 4 mil pessoas.

Em 2006, o programa foi estendido para outros oito bairros, que são a Vila São Paulo, a Pousada da Esperança 2, o Jardim Ivone, o Núcleo Fortunato Rocha Lima e o Parque Nove de Julho, além de parte do Núcleo Nova Bauru e Parques Santa Edwirges e Jaraguá.

Apesar do aumento de equipes entre 2002 e 2006, que fez saltar de 4 mil para 28 mil o número de pessoas atendidas, os beneficiados pelo programa ainda são poucos e representam apenas 7% dos 346.612 habitantes da cidade.


Alternativa inteligente

Para o secretário municipal de Saúde, José Fernando Casquel Monti, o Programa Saúde da Família (PSF) é uma alternativa inteligente e relativamente barata para o sistema de saúde público.

O caráter ativo do programa, caracterizado pela ida dos profissionais de saúde à casa das pessoas, o foco na prevenção e a aproximação entre médicos e pacientes tendem a desafogar postos de saúde e hospitais, além de reduzir gastos com tratamentos de pessoas já doentes.

"Hoje, Bauru é uma cidade que tem a saúde focada no tratamento de pessoas já doentes. A ideia do PSF é justamente o contrário: prevenir para não ter de remediar", explica.

Contudo, ele reconhece que ainda há muito a ser feito para que o município se torne um exemplo quando o assunto é PSF. A começar pelas Unidades Básicas de Saúde da Família que, atualmente, são apenas duas e estão concentradas na Vila São Paulo e no Parque Santa Edwirges, embora atendam a nove bairros distintos.

"É preciso descentralizar o atendimento, estender o programa para outras áreas da periferia da cidade e beneficiar mais pessoas", avalia.


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Neste ano, bairros terão 26 novas equipes

Em Bauru, as limitações do Programa Saúde da Família (PSF) têm data limite para chegar ao fim. De acordo com o secretário municipal de Saúde, José Fernando Casquel Monti, a previsão é que, até dezembro de 2011, o município ganhe 26 novas equipes de PSF e aumente a abrangência do programa de 7% para 38% da população.

Para isso, novas Unidades de Saúde da Família serão instaladas em diversos bairros da periferia, entre eles, Parque Jaraguá, Jardim Jussara, Núcleo Mary Dota, Jardim Mendonça e Chapadão, o Parque Roosevelt, a Vila Ipiranga, o Jardim Bela Vista e a Vila Dutra.

"Cada unidade deve ter de uma a três equipes, compostas por, pelo menos, um médico generalista, um enfermeiro e seis agentes comunitários, sendo que cada equipe deve atender no máximo 4 mil pessoas", detalha o secretário.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a meta do município é que o PSF beneficie, no mínimo, 50% da população bauruense. Objetivo que deve ser alcançado ainda no primeiro semestre do próximo ano, quando a segunda fase do projeto de expansão deve ser conclusa.

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