Trípoli - O regime do ditador líbio, Muammar Gaddafi, anunciou um novo cessar-fogo imediato, em resposta "ao apelo da União Africana pelo fim das hostilidades", declarou um porta-voz do Exército durante entrevista coletiva. O anúncio ocorre menos de 24 horas depois de bombardeios das forças dos EUA, França e Reino Unido, após uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU que autorizava o uso da força para "proteger civis líbios" das tropas de Gaddafi.
"As forças armadas líbias divulgaram um comunicado para que todas as unidades militares respeitem o cessar-fogo imediato", disse o porta-voz.
Mais cedo, as forças leais a Gaddafi, lançaram uma ofensiva contra a cidade de Misrata, a terceira maior do país e dominada por rebeldes da oposição. Anteontem, Misrata foi um dos alvos do ataque das forças ocidentais, que bombardearam as forças de Gaddafi perto de Benghazi (leste) e cerca de 20 alvos do sistema integrado de defesa aérea.
Um morador da região, que se identificou apenas como Sami, disse que duas pessoas foram mortas por franco-atiradores. "Eles (os franco-atiradores) ainda estão nos telhados. Eles estão sendo apoiados por quatro tanques que estão patrulhando a cidade. Está ficando muito difícil para as pessoas saírem".
Sami disse que as forças de Gaddafi possuem ainda barcos cercando o porto e impedindo que a ajuda chegue até a cidade.Abdelbasset, um porta-voz dos rebeldes em Misrata, confirmou os combates. "Seus tanques estão no centro de Misrata (...) são tantas vítimas que não podemos contá-las."
A rede de TV Al Jazeera relata que vários carros de combate das forças governistas ocuparam o centro de Misrata.
Abdel Basset Abou Marzouk, nomeado porta-voz dos jovens da revolução de 17 de fevereiro, disse que as forças pró-Gaddafi lançaram projéteis de grande calibre para dar cobertura aos blindados.
"As tropas de Gaddafi utilizam a estratégia da terra queimada, destruindo tudo o que encontram em sua passagem", afirmou o porta-voz. Há dias a cidade de Misrata é palco de intensos combates entre as tropas leais a Gaddafi, que buscam tomar a vila, e as forças rebeldes que controlam a localidade.
Liga Árabe critica ataques internacionais
Cairo - O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, criticou ontem os ataques das forças ocidentais contra a Líbia e afirmou que a "proteção dos civis não necessita de uma operação militar".
"O que aconteceu na Líbia é diferente do objetivo de impor uma zona de exclusão aérea, o que queremos é proteger os civis, e não bombardear mais civis", disse Moussa em entrevista coletiva em conjunto com o presidente do Parlamento europeu, Jerzy Buzek, na sede da Liga Árabe no Cairo.
Segundo Moussa, a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU tratava da proibição de qualquer invasão ou ocupação terrestre. "Dissemos que não é preciso nenhuma operação militar", acrescentou o secretário-geral da Liga Árabe, que explicou que pediu relatórios completos do que está acontecendo na Líbia.
O governo líbio denunciou o ataque das forças internacionais contra os civis. A TV estatal líbia disse no sábado que ao menos 48 civis morreram nos bombardeios. Já um funcionário do governo líbio da área de saúde disse neste domingo que o número de mortos subiu para 64.
"As pessoas morreram em decorrência de seus ferimentos, então o total de mortos subiu", disse o funcionário, que não quis ser identificado. O número não pôde ser verificado com fontes independentes.
Moussa ressaltou que a Liga Árabe apoiava a imposição de uma zona de exclusão aérea "para proteger os civis líbios e evitar qualquer medida adicional". O apoio dos países árabes da região é considerado crucial para a missão, operacionalizada pelas forças do Ocidente. Além disso, ele destacou que algumas consultas vêm sendo feitas para a realização de uma reunião urgente da Liga Árabe sobre a situação em toda a região, e especialmente, na Líbia.