Em tempos de mudanças climáticas, não se fala em outra coisa: cada vez mais, o consumo sustentável ganha mais espaço nas mídias e até mesmo nas plataformas políticas. As discussões ganham mais força ainda no Dia Mundial da Água, comemorado na data de hoje. Mesmo assim, muitas pessoas não sabem exatamente como colaborar. No entanto, o consultor de programas de uso racional da água, Paulo Costa, afirma que é possível reduzir o consumo de água nas residências em até 50%, investindo apenas R$ 150,00.
O especialista explica que o caminho é a instalação de equipamentos economizadores em alguns pontos das casas, como a cozinha, a lavanderia e o banheiro. "São produtos simples, que podem ser instalados pelo próprio consumidor e vão colaborar para a diminuição do desperdício da água, o que vai refletir no futuro do planeta e no bolso do consumidor", afirma.
Gastando entre R$ 5,00 e R$ 12,00 é possível instalar um equipamento chamado restritor de vazão constante e reduzir em até 50% o consumo de água durante o banho. Para medir o quanto cada chuveiro gasta, é preciso contar com o auxílio de um balde graduado, que vai indicar o volume de água despejado no período de um minuto. "A vazão dos chuveiros pode variar de 12 a 45 litros, dependendo do modelo. Existem restritores que podem reduzir, por um preço acessível, essa quantidade para 8 litros por minuto", explica Paulo.
Ele destaca que a mesma medida por ser adotada para as torneiras do banheiro, da cozinha e da lavanderia. Portanto, investindo R$ 30,00 é possível reduzir em até 50% o consumo da água de torneiras e chuveiros em uma residência com dois banheiros.
A compra de bacias sanitárias acopladas de duplo acionamento é outra medida que pode reduzir expressivamente o consumo de água. Custando, em média, R$ 50,00, o produto utiliza três ou seis litros de água por descarga, sendo que os equipamentos antigos chegam a gastar de 12 a 18 litros por acionamento. "Para isso, é fundamental que o consumidor regule a bacia sanitária para que funcione com essa taxa de consumo", aponta.
Paulo Costa garante que essas pequenas reformas, associadas a alguns hábitos (quadro abaixo), podem fazer a diferença para o consumo sustentável de água, evitando desperdícios. "É primordial termos a consciência de que, com atitudes simples como essa, estamos contribuindo para a preservação de recursos hídricos", destaca.
Comemoração x preocupação
Celebrar a existência do elemento que é fonte de vida para todos os seres vivos do planeta e sensibilizar a todos por conta do grau da degradação dos recursos hídricos promovida pelo homem: esse é o espírito do Dia Mundial da Água para o ambientalista Kláudio Cóffani, presidente da Organização Não Governamental (ONG) Desafio da Sustentabilidade.
"É fundamental lembrarmos que, há 50 anos, os rios de Bauru tinham água potável. Agora precisamos nos preocupar com a falta de água em quantidade e em qualidade", aponta Cóffani.
O ambientalista afirma que a falta de tratamento do esgoto na cidade é o principal fator de degradação aos recursos hídricos locais. "São quase 400 mil pessoas produzindo aproximadamente 200 mil litros de urina e 100 mil quilos de fezes todos os dias. Tudo isso é jogado diretamente nos nossos rios e quem mais sofre é a população carente, que mora em torno deles. Quando chove, a água contaminada se espalha e provoca a proliferação de doenças", explica.
Também apontada como problema, a exploração de poços irregulares prejudica os lençóis freáticos, contaminando águas que vão ser renovadas apenas daqui a um milhão de anos. "Muitos poços de famílias e empresas são clandestinos e outros, que têm autorização para funcionar, não recebem a manutenção adequada", afirma Cóffani.
Outro desafio que precisa ser combatido é o desperdício de água. Além dos maus hábitos, a falta de manutenção de encanamentos provoca vazamentos e, segundo o ambientalista, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) não dá o exemplo em Bauru. "De toda a água tratada pelo órgão municipal, 30% é desperdiçada antes de ser consumida pelos bauruenses por conta de vazamentos. Isso é inadmissível", diz.
O que poucos sabem é que nós pagamos apenas pelo tratamento e pelo transporte da água, e não pelo produto em si. No entanto, isso está prestes a mudar. Kláudio Cóffani afirma que a cobrança pela água consumida já foi aprovada por Lei federal e autorizada pelos Conselhos de Recursos Hídricos. "Os comitês das bacias hidrográficas do Batalha e do Tietê vão votar a favor da cobrança pela água. Dessa forma, as pessoas e as empresas vão sentir o impacto do desperdício nos próprios bolsos", explica.
Segundo o especialista, a cobrança pelo uso de água já é vigente em alguns Estados da região Nordeste e em municípios paulistas, como São José dos Campos e Piracicaba.
Prefeitura planta 1.000 mudas de árvores hoje
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em parceria com o Departamento de Água e Esgoto (DAE), Fórum Pró-Batalha e Banco do Brasil, vai realizar, durante o dia de hoje, o plantio de mil mudas de árvores nativas em comemoração ao Dia Mundial da Água e ao Dia do Rio Batalha.
O plantio será realizado a partir das 9h, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), que possui um afluente do Rio Batalha, e conta com o apoio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento e do Senai, que irá levar 60 alunos para auxiliar no plantio das mudas.
A Associação Atlética Banco do Brasil fica na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, Km 358 Oeste (Rodovia Bauru-Marília).
Já na próxima sexta-feira, o assessor de gabinete do DAE e membro do Fórum Pró-Batalha, Eliel Pacheco Junior, proferirá a palestra "A Água", no Senai de Bauru, que fica na rua Virgílio Malta, 11-22.
O Dia Mundia da Água foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992, e o Dia do Rio Batalha foi instituído no ano de 2002, por projeto de iniciativa do então vereador e atual prefeito Rodrigo Agostinho.
Reuso é alternativa em alta
O reaproveitamento da água da chuva para lavar carros, calçadas, regar plantas, entre outras atividades que não necessitam de água tratada, é uma boa alternativa para economizar e evitar o desperdício. A medida pode ser tomada com a instalação de uma cisterna que colhe a água do telhado e filtra resíduos sólidos e flutuantes da água da chuva.
De acordo com o arquiteto Edson Hirota, a procura pelo sistema de reuso de água tem crescido cada vez mais. "Muitos clientes já estão me procurando com essa ideia para ser aplicada em seus projetos residenciais. Algumas pessoas têm receios em relação à limpeza da água, mas o sistema é muito eficiente nesse sentido. Em cidades como São Paulo e Curitiba já existe, até mesmo, o reuso de água de máquinas de lavar e de chuveiros", explica.
O investimento para a instalação desse sistema custa entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. Apesar do alto investimento, o arquiteto afirma que já é grande a aceitação ao reuso de água de chuva. "Apesar disso, por falta de informações alguns profissionais apresentam empecilhos para uma atividade tão simples, que é colher a água da chuva. No entanto, a tendência é que a implantação desse sistema se espalhe cada vez mais", garante Hirota.
Água vaza durante 20 dias no Jardim Ferraz
Ligar para o Departamento de Água e Esgoto (DAE) cobrando a ação do órgão para acabar com o vazamento de água. É isso que o comerciante Carlos Cesar Serrano, 44 anos, vem fazendo desde o dia 5 de março.
O problema está na frente de sua residência, na quadra 8 da rua Nelson Mortari, no Jardim Ferraz. "Faz 20 dias e nada acontece. Jorra água o tempo todo e, a cada dia, aumenta mais a vazão. Como eles podem pedir que a população economize água se não fazem a parte deles?", questiona Carlos.
Ele afirma que o problema só não se tornou maior pelo fato de a rua não ser asfaltada. "O chão de terra absorve a água, mas essa demora é inaceitável", afirma.
Segundo a assessoria de imprensa do DAE, o problema será resolvido durante o dia de hoje. A grande demanda por esse tipo de serviços é a justificativa do órgão pela demora de mais de 20 dias para a ação.