Internacional

Voluntária japonesa se oferece como ?ponte? para brasileiros no Japão

Por Wilson Marini | Rede APJ
| Tempo de leitura: 2 min

A jovem Asami Miyashita, 28 anos, mora em Tóquio e trabalha numa empresa de prestação de serviços na área de Internet e celular. Japonesa, estudou português e em 2003 esteve no Brasil como intercambista pela Universidade de Brasília (UnB). Sempre desejou "ser uma ponte" entre brasileiros e japoneses. No último dia 11 de março, logo após o terremoto de 9 graus seguido de tsunami, teve a sua grande oportunidade de exercitar a segunda língua e a solidariedade.

Em seu blog de receitas culinárias (http://vintedoisde agosto.tumblr.com), passou a dar informações úteis a brasileiros no Japão, como "O que podemos fazer para salvar as vítimas de terremotos" e "Linhas de suporte em mais de 15 idiomas para os estrangeiros no Japão", além de dicas sobre racionamento de energia e serviços para localizar pessoas desaparecidas.

Rede APJ - Por que o interesse em orientar brasileiros em seu blog?

Asami Miyashita - Depois que aconteceu tudo aquilo, todos no Japão e até em outros países começaram a ajudar. Isso foi muito emocionante. As empresas passaram a doar muito dinheiro. Apesar da confusão, não estamos sofrendo aqui em Tóquio tanto quanto nas áreas ao norte. Eu pensei sobre o que poderia fazer, além de doações e enviar coisas materiais necessárias. Olhando o twitter, eu via muitas informações úteis. De vez em quando as informações eram em inglês, mas não via muita coisa em português. Eu já trabalhei no mercado com brasileiros que trabalham no Japão e conheço bem a situação deles. Eles moram na comunidade brasileira e não têm muitas chances de aprender o japonês. Imaginei que eles poderiam estar com medo por não entender o que realmente está acontecendo.

Rede APJ - Teve algum retorno após postar as suas informações?

Miyashita - Não tive diretamente, mas aumentou o número de pessoas que seguem o meu blog, especialmente por parte de brasileiros.

Rede APJ - Qual a sua sensação agora em relação a todos os acontecimentos?

Miyashita - Naquele dia, só posso dizer que deu muito, mas muito medo. Imaginei a situação como se o mundo inteiro estivesse acabando. Não só por causa do terremoto, mas também o que viria depois. As pessoas começaram a comprar muitas coisas e poderia faltar aquilo que usamos no cotidiano, tipo comida (arroz, claro), papel higiênico, gasolina. E as pessoas poderiam ficar nervosas. Infelizmente, isso já está acontecendo. Sinto muito em relação às pessoas falecidas por causa da catástrofe, e suas famílias, casas caídas, cidades destruídas, trabalhos perdidos. Olhando as notícias tristes na televisão, já dá vontade de chorar. Mas nós estamos no país que já sofreu situações parecidas, como na época da Segunda Guerra Mundial, e outros terremotos. E nós sabemos recuperar. Acredito na capacidade da gente e só podemos ir para frente.

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