Política

Câmara critica sucateamento do DAE

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Demora no atendimento à população, qualidade de materiais usados para reparos na rede de distribuição de água, reposição asfáltica após consertos, ineficiência. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) foi duramente criticado por vereadores na sessão do Legislativo de anteontem. Amarildo de Oliveira (PPS), Fabiano Mariano (PDT), José Roberto Segalla (DEM) e Marcelo Borges (PSDB) foram alguns dos que levantaram problemas da autarquia. Desde o ano passado, a Comissão de Fiscalização e Controle da Casa investiga denúncias feitas pelo Sindicato dos Servidores Municipais sobre más condições de trabalho e sucateamento da autarquia. Segalla, relator do caso, avalia que as denúncias continuam aparecendo e sendo apuradas.

Se na semana passada a demora no reparo de vazamentos da rede foram os principais alvos das críticas, na sessão de Câmara de anteontem, a autarquia como um todo não foi poupada. Amarildo de Oliveira foi o primeiro a trazer o assunto na tribuna. Ele exibiu fotografias e uma espécie de dossiê elaborado por um morador do Jardim Contorno relatando todo seu esforço para que um vazamento fosse reparado.

Por sua vez, Fabiano Mariano afirmou que os vereadores estão sendo procurados pela população que não consegue retorno do DAE. "Recebemos diversos pedidos sobre demora de reposição asfáltica após os consertos, demora no reparo de vazamentos antigos. Antes, não precisava dessa intervenção dos vereadores", afirmou. Ele também questionou a qualidade do serviço prestado, afirmando que a reposição de pavimentação após o reparo acaba ficando em desnível com a capa asfáltica, afetando os serviços de recape já realizados pela prefeitura.

Segalla, relator do procedimento de investigação das denúncias de sucateamento do DAE, ressaltou as más condições de trabalho dos servidores. "Fomos apurar denúncias e vimos botinas e botas usadas. Usam material reaproveitado para reparos. Assim, o serviço executado não dura", afirmou.

Marcelo Borges ressaltou que a Comissão de Obras, Serviços Públicos, Transporte e Habitação convidou o presidente do DAE, André Andreoli, para prestar informações a respeito da iniciativa da entidade de retomar o serviço de leitura. "Ele tem que provar que vai ser melhor para a cidade isso", pontuou.

Precariedade


Na semana passada, a Comissão de Fiscalização e Controle da Casa fez mais uma visita a pontos de operação dos servidores da autarquia, para averiguação de denúncias sobre más condições de trabalho. De acordo com o vereador José Roberto Segalla, a cada nova verificação, mais denúncias são feitas. "Em uma visita na avenida Cruzeiro do Sul, fomos fazer um levantamento fotográfico de condições de trabalho. Recebemos uma solicitação de funcionários em virtude da precariedade dos equipamentos que estavam trabalhando. Mas ao verificar uma coisa, fomos informados de outras que exigem apuração", relatou ao JC.

"Lá fomos informados que os funcionários estavam recebendo material reciclado para trabalhar. Um deles falou especificamente de um serviço no qual teria que colocar cinco luvas de conexão e as cinco eram usadas, material reciclado. Na maneira de entender dele, ele disse que não demoraria de 15 dias a 20 dias para retornar e refazer o serviço, pois o material quando é reaproveitado, não tem a mesma eficiência de quando novo. E isso teremos que checar se de fato aconteceu e o motivo", relatou o vereador.

Denúncias

Em maio de 2010, o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) encaminhou à Câmara Municipal de Bauru uma série de relatos que justificariam irregularidades, entre elas a de que a direção do DAE estaria planejando a terceirização de serviços estratégicos ao adotar gestão com poucos cuidados na reposição de peças e insumos internos e problemas com a frota.

O sindicato também apontou falta de manutenção da frota tanto para serviço administrativo quanto operacional. Para a entidade, há negligência com recuperação e reparos e descumprimento de normas de segurança, colocando em risco os servidores. O caso foi recebido pela Comissão de Fiscalização e Controle, que inicialmente se reuniu com o presidente da autarquia na época, Rafael Ribeiro. O vereador Segalla foi nomeado relator do processo e deu continuidade à averiguação.

Defesa


André Andreoli, presidente do DAE, afirma que todo o material adquirido pela autarquia segue as determinações legais e também as regras da lei de licitações. Ele afirmou que vai apurar a informação que o material usado em alguns reparos são de reaproveitamento. Sobre a demora no atendimento da população, Andreoli destaca que é devido à grande demanda enfrentada pela equipe da autarquia. "Atendemos muitos pedidos. Ainda mais nesse início de ano, que atravessamos a época de chuva, a demanda fica ainda mais crítica. A equipe não diminuiu, é a mesma. Porém, nessa época os pedidos aumentam", destaca.

Ele também pontuou que a demora na recomposição da camada asfáltica também se deve à demanda e a critérios técnicos. "Não se pode asfaltar com a terra ainda molhada ou fofa. É preciso ela estar seca e compactada", afirma.

O presidente da autarquia confirma que vai participar da reunião da Comissão de Obras, Serviços Públicos, Transporte e habitação. "Teremos condições de explicar que o serviço vai ficar cerca de R$ 0,20 mais barato por fatura", calcula.

Comentários

Comentários