Amante incondicional da boa música, o tenho como o meu eterno guru, pois foi com ele e seu extremo bom gosto musical que aprendi a gostar e apreciar o fazz, o blues e a boa música. O seu apelido não era ao acaso, pois também apreciava uma boa comida, que a gente sempre tinha o maior prazer em preparar e escutar seus elogios, digno de quem sabia o que estava falan-do. Dia estranho hoje. Primeiro demorou a amanhecer, pois fiquei a noite lembrando os bons momentos em que tive a oportunidade de compartilhar de sua companhia e, graças a Deus, foram muitos estes momentos.
Não vamos mais ter a sua agradável presença, pois o Sr. lá de cima o chamou; vai ver estava querendo um companheiro para discutir os rumos que a música aqui neste plano está tomando, já que o João, como eu, compartilhávamos da mesma opinião, de que a boa música está cada vez mais restrita a poucos, os ritmos estão piorando a cada ano, parece que a moçada sim-plesmente não conhece o que já tivemos de melhor, a Bossa Nova, o movimento Tropicália, até mesmo a Jovem Guarda.
Seria impossível eu tentar colocar em pa-lavras toda a história de mais de trinta anos de uma grande amizade. Impossível e até injusto, tamanhas as lembranças e momentos marcantes que tivemos juntos desde que nos conhecemos, nos idos de 80.
Cada momento, cada recordação está profundamente marcada em minha memória e em meu coração. Não quero priorizar uma em detrimento de outra; então me reservo o silêncio consternado pela perda deste amigo que se foi. Tento manter a lembrança do seu último abraço, já meio entristecido pelos problemas de saúde que vinha enfrentando.
Prefiro me lembrar de como ele sempre foi: jovial, alegre, livre de preconceitos e de um amor irrestrito pelos amigos e pela boa música, além de uma boa comida, acompanhada sempre por uma Coca-Cola com pedras de gelo e umas fatias de limão, que carinhosamente os amigos apelidaram de Coca a la João Gordo. Amigo, um grande e carinhoso abraço a você! (Marco V. Machado - amigo do João Gordo)