A admirável superlua emoldurada pelo céu na noite, anunciada na mídia como sendo o satélite bem inflado, isto em consequência de sua maior aproximação de nosso planeta, fenômeno natural raro, parece ter acontecido para saudar a estação de outono no seu período inicial deste ano, chamando a atenção dos cultores do belo, ofertado pela natureza, da chegada da mais interessante estação do ano.
Esse período sugere tardes quentes, como as de verão, mas na medida em que a noite surge obrigando o sol iluminar o outro lado da terra, incorpora a esse fenômeno uma brisa agradavelmente suave levando as pessoas mais friorentas retirar do descanso o agasalho adormecido. É a estação do ano que antecede ao inverno e uma vez surgindo na sua dianteira, cumpre a tarefa de preparar o clima para que a chegada do frio não venha apanhar de improviso os despreparados.
Essa aragem nos finais de tarde é um pouco mais arrebatada, e logo transforma-se em vento fazendo com que as folhas secas das árvores se desprendam dos galhos, e caiam suavemente num vaivém até o repouso final na calçada ou na rua. São folhas projetadas de árvores que lhes deram vida, porém, nascidas com o estigma de morrerem bem antes da mãe porque quanto a esta predestinou-se uma vida prolongada nos afazeres constantes de renovar suas folhas, flores e frutos a cada temporada. As folhas mortas caem a deriva uma sobre as outras abandonando suas árvores com os galhos à mostra, desnudos, aparentemente secos à símile da pessoa que retirou as vestes conservando apenas o necessário para não ser hostilizada.
O entardecer do outono descortina a partir do horizonte um por do sol inigualável. O céu, naquele ponto é pintado com uma mistura farta de cores predominando o vermelho porque essa tonalidade esconde o desaparecimento do sol. A noite o céu se torna azul-índigo e nenhuma nuvem por menor que seja, mesmo aparentando um pequenino floco de algodão pairado no espaço, enfeita a imensidão celeste. As estrelas surgem rapidamente aproveitando o dia mais curto da estação com a noite mais longa para dominar com seu esplendor todo o corpo azul encimando a terra. Algumas estrelas parecem estar em competição entre elas irradiando intenso brilho, retirando das menores em escala de grande maioria, qualquer expressão que pudesse atrair olhares de quem está admirando a rara beleza das irmãs maiores estampadas no céu de outono com imponente galhardia. As estrelas menores se reúnem em incontáveis agrupamentos, enquanto as maiores, alardeando com intenso fulgor a indiferença para com seus parentes estrelares, cintilam num piscar prateado ligeiramente banhado de azul-claro respeitando uma grande distância entre elas o que causa a impressão de que cada uma havia conquistado um espaço dentro do infinito para nele reinar com exclusividade nas noites, livre de alguma concorrente por perto.
O céu azul-anil forma com as estrelas um cenário encantador, e nesse seu reinado, propositadamente dão poucas chances ao aparecimento da lua enfeixando-se num gesto egoísta no receio do luar empalidecer o deslumbramento do céu azul e branco cintilante, marca registrada da estação de outono. Essa grandiosidade está disponível a qualquer pessoa, basta observá-la da rua ou do quintal de casa. Tudo de graça sob o patrocínio da mãe natureza.
O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d?Abril, é professor universitário aposentado