Brasília - A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) realizaram ontem uma passeata, em Brasília, para pedir que 10% do Produto Interno Bruto (PIB), além de 50% dos recursos do fundo social do pré-sal, sejam destinados à educação. Cerca de 5 mil estudantes participaram da manifestação.
Segundo o presidente da UNE, Augusto Chagas, não há como melhorar as universidades e as escolas se não houver investimento em educação. "Nós apresentamos (aos deputados) uma emenda ao Plano Nacional de Educação (PNE) para que seja destinado 10% do PIB para a educação. Os 7% que estão na proposta do governo, a presidente Dilma já se comprometeu a atingir até 2014. É possível atingir os 10% até 2020 e estamos mostrando o caminho. Voltamos a apresentar a nossa emenda que propõe destinar 50% do fundo social do pré-sal para a educação", afirmou o estudante.
Segundo Chagas, o grande problema do fundo social do pré-sal é não determinar "prioridades". Dessa forma, de acordo com ele, os recursos podem ser gastos em qualquer área social.
"Ele pode ser gasto em saúde, em educação, cultura, ciência e tecnologia. Se não existe prioridade, esse recurso talvez não resolva o problema. Achamos que a agenda prioritária é a educação e 50% devem ser destinados para fazermos investimentos estratégicos em educação", disse.
O presidente da Ubes, Yvann Ivanovick, disse que esse é o momento certo para se discutir o percentual do PIB que deve ser aplicado em educação. "O ano de 2011 é o ano da educação. Temos a oportunidade de aprovar o Plano Nacional de Educação e garantir 10% do PIB para a educação. Há dez anos o congresso aprovou 10% para a educação e o governo vetou. O trabalhador, quando deixa de pagar uma dívida, paga mais caro. O Brasil tem uma dívida com a educação e agora tem que pagar mais caro."
A presidenta da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, Fátima Bezerra, disse que o PNE vai exigir uma ampla discussão dentro do parlamento. "A Câmara vai se debruçar sobre o debate do PNE. Ele é fruto de uma ampla discussão no país e, por isso, não pode ser aprovado a toque de caixa."
Segundo os dirigentes do movimento estudantil, novas passeatas devem ser organizadas nos próximos dias em outros Estados.