Piratininga ? O proprietário de uma distribuidora de medicamentos que possui escritório e depósito em Piratininga (13 quilômetros de Bauru) foi preso em flagrante anteontem durante operação conjunta realizada por policiais civis da 2ª Delegacia de Saúde Pública do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) da Capital e representantes das Vigilâncias Sanitárias Estadual e Municipal e da Corregedoria Geral da Saúde.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), medicamentos impróprios para o consumo foram apreendidos em Piratininga e em Bauru. J.C.B. (somente as iniciais foram divulgadas), 36 anos, responsável pela empresa Pró-Oncologia Quimioterápicas Ltda ME foi preso e autuado em flagrante pela prática de crime contra as relações de consumo e tráfico de drogas.
Segundo a polícia, ele foi levado para a Cadeia de Duartina, onde permanecia até o fechamento desta edição. O Jornal da Cidade não conseguiu apurar se ele já havia constituído advogado. No caso de condenação, a pena para o crime contra as relações de consumo varia de dois a cinco anos de prisão. No caso do tráfico, a pena varia de cinco a 15 anos de prisão.
A Polícia Civil revela que, em Piratininga, funcionavam o escritório e o depósito da distribuidora de medicamentos. No galpão onde estavam armazenados os produtos, localizado no Centro da cidade, foram encontradas centenas de caixas de remédios de origem duvidosa, impróprios para o consumo humano e de princípio ativo sem autorização legal.
O delegado responsável pelas investigações na Capital, Anderson Pires Giampaoli, não foi localizado ontem pelo JC para fornecer mais informações sobre o caso, que continua sendo apurado.
De acordo com o delegado Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, que registrou o flagrante, a operação contou com o apoio de policiais civis da cidade.
Ele revela que os medicamentos apreendidos, que seriam utilizados no tratamento contra o câncer, teriam sido desviados de órgãos públicos. "Esses medicamentos pertenciam ao Governo do Estado de São Paulo", diz. A SSP não confirmou a informação.
O Jornal da Cidade também entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado para saber se a Vigilância Sanitária havia feito alguma autuação em relação ao proprietário da distribuidora de medicamentos, mas não obteve resposta alguma até o fechamento desta edição.
No final de 2009, a Pró-Oncologia Quimioterápicas Ltda ME passou a ser investigada por suposto envolvimento em esquema de roubo e desvio de medicamentos utilizados no tratamento contra o câncer de hospitais da rede pública do Estado. Segundo reportagens divulgadas na época, o esquema, descoberto durante a "Operação Medula", era comandado pela família de um empresário de São Paulo e tinha ramificações em 20 estados e no Distrito Federal. Os remédios, a maioria de valores altos, chegando a R$ 10 mil a unidade, eram vendidos a preços abaixo de mercado para clínicas particulares e hospitais de 50 cidades.