O proprietário de um pet shop localizado na quadra 7 da rua Cussy Júnior, no Centro de Bauru, vai dormir dentro de seu estabelecimento pelas próximas 15 noites. Isso vai acontecer até que o espaço de duas barras de vidro, quebradas na madrugada de ontem, seja ocupado por outras novas, que foram encomendadas pelo comerciante, mas vão ser entregues só daqui a duas semanas.
Flávio Cândido afirma que entraram em sua loja quebrando as duas barras de vidro da fachada com o auxílio de um martelo e levaram um secador de pêlos de animais, que custa cerca de R$ 1.600,00. "Afora isso, tem o prejuízo por conta dos vidros, que eram grossos, e vão custar R$ 2 mil cada. Por enquanto, cobrimos o local com madeira, mas eu não confio e, mesmo com mulher e três filhos em casa, tenho que dormir aqui", conta o comerciante.
O medo do empresário está relacionado à grande quantidade de furtos registrados em estabelecimentos próximos ao seu. Segundo Flávio, foram quatro no mês de março, sendo dois apenas nesta semana.
"Na madrugada de terça-feira, houve um furto praticado de forma muito parecida com o do meu pet shop em uma loja a uma quadra daqui. Tenho certeza que é a mesma pessoa ou a mesma quadrilha que tem praticado esses crimes na região central", afirma.
A falta de policiamento é apontada pelo comerciante como o fator responsável para que os furtos estejam acontecendo. "Quem está aqui de madrugada, não vê as viaturas por aqui. Elas estão na Getúlio Vargas, na Duque de Caxias, mas não nessa região", garante.
Reclamação
Flávio diz também que, quando acionados via Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), os policiais demoram a chegar.
"Um vizinho meu viu o cara saindo da minha loja e chamou a polícia, mas ela não apareceu. Por causa disso, a ocorrência foi registrada somente na manhã de hoje (ontem), quando cheguei à loja. Já passei por experiências de acionar policiamento porque tinha um homem usando drogas na frente do meu estabelecimento, mas a viatura chegou só 48 minutos depois", garante.
O estabelecimento não conta com sistema de segurança por alarme. O proprietário afirma que um equipamento já foi instalado, mas apresentava problemas constantes provocados por disparos irregulares.
"A sensação de insegurança é muito grande. Estou inaugurando uma loja de roupas em uma cidade vizinha porque, infelizmente, não tenho confiança de abri-la em Bauru", afirma.
Policiamento na área central
Procurado pela reportagem do Jornal da Cidade, o tenente Eduardo Henrique Alferes, comandante da Base Comunitária de Segurança do Centro, explicou que não tinha disponível as estatísticas relacionados aos furtos registrados na região e, por isso, não poderia confirmar as alegações feitas pelo comerciante.
No entanto, afirmou que duas viaturas fazem o policiamento de rotina na área durante a madrugada. Além disso, outro veículo também circula pelo Centro da cidade a partir do horário de fechamento do comércio até o início da madrugada.
"Não podemos dizer que os casos de furtos cresceram no último mês. No entanto, vamos reforçar a atenção na área em que o comerciante aponta as ocorrências para que elas não voltem a acontecer" afirmou tenente Alferes.
O comandante da Base Centro assumiu o posto em janeiro de 2011 e traz em seu currículo experiências de policiamento na área Central da cidade de São Paulo. "Temos reforçado a fiscalização da ação de comerciantes ambulantes na área, apreendendo mercadorias ilegais. Esse tipo de atuação deu muito certo na capital do Estado e estamos tentando implantá-la aqui no Interior", explica.