Polícia

Pai e filha morrem atropelados

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A quadra 1 da rua Laudze Garcia Menezes, no Fortunato Rocha Lima, foi cenário de um acidente que comoveu o bairro. O coletor de recicláveis Valdecir Monteiro e sua filha caçula Gabriela, de 4 anos, foram atropelados pelo Renault Clio vermelho, conduzido por Joyce Aparecida de Oliveira, 20 anos. Pai e filha morreram no local. Ao saber da tragédia, Rosângela, esposa de Valdecir e mãe da garotinha, entrou em choque e foi levada ao Pronto-Socorro Central, onde foi medicada. Centenas de pessoas que se aglomeravam ao redor dos corpos cobravam melhor sinalização na via e lombadas.

Para todas elas, a cena era chocante. Presenciaram o corpo de Gabriela, segurando a sombrinha utilizada para se proteger do sol, estirado no meio da rua. Cerca de 20 metros mais adiante, o corpo de seu pai, que fazia aniversário justamente ontem segundo a Polícia Militar, atravessava o para-brisa do carro.

Segundo o que relatou aos policias militares, Joyce seguia pela rua sentido Nova Esperança, por volta das 13h20, quando Valdecir surgiu do meio do mato existente entre o acostamento da rodovia e a rua, empurrando um carrinho que usava para transportar seus recicláveis. Gabriela estava sentada dentro do carrinho. A condutora não teria tido tempo de evitar a colisão. Uma testemunha ouvida pela Polícia Militar alega que viu Valdecir vasculhar o mato, provavelmente atrás de algum produto reciclável.

Edna de Albuquerque, que há oito anos mora no bairro, relatou ainda que o carrinho estava parado no meio-fio e que o coletor tinha acabado de colocar a menina dentro dele quando foi atingido. Ela também pontuou que o trecho é perigoso, pois não há redutores de velocidade. A rua possui sinalização indicando que o máximo permitido é 40 quilômetros por hora.

Valdecir e sua esposa Rosângela moravam a poucas quadras do acidente, junto de seus quatro filhos. Ao saber sobre o atropelamento, Rosângela foi até o local, mas passou mal e teve de ser socorrida. No final da tarde de ontem, ela ainda estava sob efeito de medicação no Pronto-Socorro Central. A Polícia Científica foi chamada e iniciou os trabalhos de perícia no local do acidente por volta das 15h30.

Orlando Caetano, tio e vizinho de Valdecir, conta que na manhã de ontem o coletor foi até sua casa tentar consertar a roda do carrinho. Como não conseguiu, tinha decidido ir até o Bauru 16, onde seus pais moram, tentar arrumá-lo. Ele foi morto pouco depois de sair de casa. "É um lugar muito perigoso. O asfalto está novo e os carros não param. Além disso, aqui no bairro tem muita criança. A prefeitura precisa fazer alguma coisa, colocar uma lombada", diz.

Perigo

Em novembro do ano passado, um acidente semelhante no Jardim Eldorado, cerca de 300 metros do atropelamento registrado ontem, resultou na morte de Paola Thamara Silva Zanino, 8 anos. Ela foi atingida pelo motociclista Cláudio Alves Freire Pinto, 19 anos. A garotinha andava pela quadra 3 da rua Pastor Eduardo Alves Leite, quando foi atingida pela motocicleta conduzida por Cláudio. Até o fechamento da edição, o caso ainda não tinha sido registrado na Polícia Civil e a idade de Valdecir, com aproximadamente 50 anos, não tinha sido apontada.


Tragédia anunciada

Na tarde de ontem, três cavalos invadiram a pista da rodovia Bauru-Marília, duas horas depois do acidente que vitimou Valdecir Monteiro e sua filha Gabriela. Os animais corriam em direção a Bauru e tiveram que ser direcionados para às margens da rodovia por um policial militar que atendia ao caso do acidente e um motorista que passava pelo local. No dia 10 de dezembro do ano passado, um acidente envolvendo um cavalo na mesma região deixou três mortos. O Ford Focus dirigido Pedro Henrique Furtado Menins bateu no animal. No acidente morreram Maurício José Furtado, 28 anos, Carlos Henrique Furtado, 33 anos e sua namorada namorada, Ana Paula Santucci, 33 anos, todos ocupantes do veículo.

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