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Qualidade da água interfere no QI

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A qualidade da água consumida e o saneamento básico têm interferência direta na capacidade de raciocínio, na velocidade do aprendizado e na maneira como as pessoas encaram e resolvem problemas. Essa é a conclusão a que chegou o pesquisador Christopher Eppig, da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos.

Os resultados de seus estudos foram expostos no 6.º Fórum Água em Pauta, realizado esta semana em Jundiaí e organizado pela revista Imprensa. Durante o evento, o cientista expôs uma relação direta entre doenças infecciosas e o quociente de inteligência (QI).

Segundo ele, a falta de cuidado com a qualidade da água e a falta de saneamento básico provocam doenças infecciosas e essas enfermidades podem atrapalhar o desenvolvimento intelectual da população, especialmente na fase inicial da vida.

Eppig justifica dizendo que a energia (calorias) que deveria ir para o cérebro é gasta pelo organismo para combater as infecções. Com isso, o cérebro não se desenvolve na sua plenitude, causando um déficit em seu funcionamento.

A preocupação é maior nos primeiros meses e anos de vida porque, segundo os estudos, é nessa fase que o cérebro humano mais precisa de energia. De acordo com o pesquisador, o cérebro de um recém-nascido consome cerca de 87% da energia produzida pelo organismo.

Quando a criança tem 1 ano e meio, o percentual é de 53%. Aos 5 anos, o cérebro usa 44% das calorias. E assim sucessivamente. Portanto, é de fundamental importância que bebês e crianças tenham acesso a água de qualidade e saneamento básico. Pois é nessa fase que o cérebro está em desenvolvimento e necessita de mais energia.

Tânia Regina Pupo, doutora em práticas de saúde pública, lembra que esse é mais um motivo que reforça a importância do aleitamento materno. Segundo ela, isso evita que bebês corram o risco de beber água contaminada e, assim, contrair alguma doença.

"A qualidade da água tem uma relação direta com a saúde pública", afirma. Além de ajudar no desenvolvimento do cérebro, é um dos fatores que têm influenciado na queda da mortalidade infantil no País, segundo Tânia, que esteve presente no Fórum. De acordo com ela, a mortalidade infantil no Brasil caiu 61% entre 1990 e 2010.

Eppig explica que o QI a que se refere o estudo não tem nada a ver com a bagagem intelectual de uma pessoa, mas com a qualidade do cérebro, velocidade de aprendizado e habilidade em resolver problemas e fazer associações.

De acordo com o estudo apresentado por ele no Fórum, a diarreia é o tipo mais comum de doença infecciosa em todo o mundo e o que mais mata crianças abaixo de 5 anos. A situação é ainda mais preocupante em países tropicais, como o Brasil, por causa das altas temperaturas. Vírus e bactérias se reproduzem com mais facilidade e rapidez em ambientes que apresentam um nível maior de calor e umidade.

O clima associado à falta de tratamento de esgoto formam uma combinação totalmente desfavorável, segundo Eppig. "O lançamento de esgoto em rios que abastecem cidades afeta a saúde da população por causa da disseminação de parasitas, além de toxinas, como o chumbo, por exemplo", cita.

De acordo com ele, mesmo que a pessoa tenha uma alimentação saudável, o desenvolvimento do cérebro pode ser afetado se ela tiver uma doença infecciosa. Segundo ele, por meio da alimentação saudável, a energia chega ao organismo mas não vai para o cérebro porque tem de ser usada no combate à infecção.

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