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?Royaltie? é opção para preservar água

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Até 2050, a previsão é de que a população mundial gire em torno de 10 bilhões de pessoas. Haverá um acréscimo na demanda por água potável. No entanto, a oferta de água, na melhor das hipóteses, continuará a mesma.

Para o jornalista Reinaldo Canto, que escreve sobre cidadania e sustentabilidade na revista Carta Capital, a solução passa, necessariamente, pela educação e conscientização não apenas dos consumidores residenciais, mas também dos consumidores industriais.

"Que a água é essencial para a agricultura todo mundo sabe. Mas ela é essencial também dentro do processo de produção da indústria", afirma. Segundo ele, em todo o mundo, a indústria é responsável pelo consumo de 25% da água potável. No Brasil, o índice é de 18%.

Para se conseguir uma xícara de café, por exemplo, são necessários, em média, 140 litros de água. Isso é o que se gasta direta ou indiretamente durante todo o processo produtivo do café, desde a plantação, passando pela colheita, torrefação, até o momento em que é exposto para a venda na prateleira de um supermercado.

Para produzir um quilo de açúcar são consumidos, em média, 1.500 litros de água; uma taça de vinho, 120 litros; e para um quilo de carne bovina, 15 mil litros. Há variação nos números, dependendo das características regionais.

Na opinião dele, para evitar o desperdício, é essencial que se faça um trabalho voltado para o reuso da água, o que passa pela reciclagem, redução do consumo e tratamento da quantidade utilizada.

Segundo Reinaldo, a produção e a conservação da água são tão importantes que deveriam ser mais valorizadas. Ele sugere, inclusive, que seja pago "royalties" às cidades que têm essa preocupação.

"Assim como paga-se royalties pela extração de petróleo, pela geração de energia, etc, deveria ser pago também para as cidades que protegem as nascentes de água", propõe. Ele cita como exemplo Mogi das Cruzes, onde 65% da cidade são compostos por área de preservação ambiental por causa das inúmeras nascentes que existem por lá. Segundo o jornalista, se a cidade não tem uma compensação financeira para cuidar dessas nascentes, essa condição territorial acaba não sendo vantajosa.

Há quem defenda, por exemplo, o pagamento pelo serviço de manutenção dos ecossistemas, como é o caso do pesquisador do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Junior Ruiz Garcia, que foi um dos palestrantes do 6.º Fórum Água em Pauta.

Na avaliação dele, a manutenção dos ecossistemas implica em custos. Então, como garantir ecossistemas saudáveis? Segundo ele, da mesma maneira como é feito com a eletricidade, moradia, transporte e outros serviços essenciais à vida: pagando.

Para o economista, o tributo seria para consolidar uma atividade econômica voltada para o provimento de serviços ecossistêmicos, já que se trata de um produto (a água) que é essencial e insubstituível para o sistema econômico. "Assim, a gestão ambiental seria sustentável", defende.


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Desafio do século

Garantir água de boa qualidade e em quantidade suficiente é um dos grandes desafios para as cidades no século 21.

A afirmação é da arquiteta e urbanista Marussia Whately, especialista em gestão de bacias hidrográficas.

Ela cita o estudo feito pela Agência Nacional de Águas, cujos resultados foram divulgados esta semana, e que aponta uma tendência de que, daqui a quatro anos, mais da metade dos municípios brasileiros terão problemas com o abastecimento de água. E Bauru está entre essas cidades.

Diante desse cenário, ela aponta que é preciso aumentar a consciência da população sobre o impacto provocado pelo rápido crescimento urbano, industrialização e incertezas geradas pelas mudanças climáticas, além dos conflitos e desastres naturais sobre os sistemas de abastecimento de água.

"Estamos pegando o ?País dos rios? e transformando-o no ?País dos esgotos?. É preciso proteger os mananciais para garantir água de boa qualidade e em quantidade suficiente. Esse é um dos nossos grandes desafios", diz.

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