Não é por falta de aviso: se os bairros da cidade continuarem fornecendo condições propícias para a procriação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela, provavelmente, o recorde de casos confirmados da doença, alcançado em 2007 e que ultrapassou o número de 2.180 pessoas infectadas, será batido dentro de poucos meses.
Do início do ano até a tarde da última quinta-feira, 887 casos de dengue já haviam sido registrados. Destes, 884 foram contraídos no próprio município e apenas três são provenientes de outras cidades.
Os moradores mais velhos podem até achar que a situação ainda sob controle, se levarmos em consideração o ano de 2007, quando 2.180 casos foram confirmados. Até hoje, essa marca não foi batida. Mas é preciso ressaltar: naquele ano, até o fim de março apenas 197 pessoas tinham contraído a doença, 690 a menos do que o registrado neste ano.
Mas o que fazer para que a cidade não bata a marca de casos de dengue registrada em 2007? Só há uma saída: evitar a proliferação do mosquito transmissor. E esta é uma ação que depende quase que exclusivamente da população.
Especialistas são unânimes ao afirmar que de nada adiantam busca ativa de casos e nebulizações promovidas pelo poder público se a população não eliminar os criadouros dos quintais e de dentro das casas. Mesmo porque, a nebulização, por exemplo, mata o mosquito transmissor, não os ovos muitas vezes já depositados nos criadouros.
Epidemia
Para José Fernando Casquel Monti, secretário municipal da Saúde, uma série de fatores colaboraram para a instalação da epidemia de dengue na cidade, neste ano. Dentre eles, o regime de chuvas e as altas temperaturas, as condições urbanas inadequadas, que incluem terrenos baldios com lixo e mato alto, além do descuido da população com situações que podem servir de criadouro para o mosquito.
"A dengue, atualmente, é um problema nacional. Até o Paraná, que tinha poucos casos da doença, já registra números elevados. A prefeitura está envidando esforços e uniu suas secretarias no trabalho de controle do vetor, mas sabemos, claramente, que não é possível acabar com eles", afirma Monti.
Vila Industrial, Núcleo Edson Francisco, Vila Nova Esperança, Núcleo Fortunato Rocha Lima, Jardim Prudência e Vila Industrial, todos na zona oeste da cidade, concentram 80% dos casos identificados no município, segundo dados oficiais da Prefeitura de Bauru.
Por conta dessa incidência, eles estão na lista de prioridades no combate à dengue da Secretária Municipal de Saúde (SMS).
"A medida de urgência adotada nestes bairros consiste em visitar as casas e orientar a população sobre como evitar a procriação do mosquito, coletar materiais que possam servir de criadouro para a larva e realizar a nebulização, ou seja, uma megaoperação que engloba vários órgãos do município e do Estado", explica Kelly Cristina Jacinto Mercado, coordenadora do mutirão de controle da dengue.
Porém, por conta de o mosquito ter facilidade para se adaptar ao meio urbano e a doença ter características muito específicas, a Secretaria Municipal de Saúde ainda tem dificuldades para controlar o número de vítimas do vetor.
"Não existe uma vacina contra a dengue nem um tratamento que alivie os sintomas. A única forma é impedir a proliferação das larvas, que exige trabalho intenso e a colaboração do setor público, privado e, principalmente, da comunidade", frisa Monti.
Imunidade à dengue
Quando uma pessoa é picada pelo mosquito Aedes aegypti e contrai dengue, ela certamente passa por maus bocados, causados pela febre, dor de cabeça e nos olhos, manchas vermelhas pelo corpo, ânsia e vômitos, além de outros incômodos e dolorosos sintomas. Porém, depois disso, ela está imune ao vírus.
Mas se engana quem pensa que essa é uma boa notícia, isto porque existem quatro tipos diferentes de vírus da dengue, o que possibilita que uma mesma pessoa tenha a doença por até quatro vezes.
"Quando uma pessoa tem dengue do tipo 1, ela fica imune à esse vírus, porém ainda pode ter dengue dos tipos 2, 3 e 4. O grande problema é que, quando a doença afeta a mesma pessoa mais de uma vez, aumentam as chances de ocorrer a imunidade cruzada, que causa a temida dengue hemorrágica", detalha José Fernando Casquel Monti, secretário municipal da Saúde.
Em Bauru, somente a dengue tipo 1 foi identificada. Mas na semana passada, casos do tipo 4 foram diagnosticados no País. "É preciso ficar atento. Pode ser que uma pessoa contaminada venha para nossa região, seja picada pelo mosquito, que depois vai infectar outras pessoas com o mesmo vírus. Por isso, o melhor método, é combater os focos", alerta Monti.