Além de comoção e tristeza absoluta, revolta também marcou, ontem, o velório do coletor de recicláveis Valdecir Monteiro e sua filha caçula Gabriela, 4 anos. Ambos foram atropelados no início da tarde de anteontem pelo Renault Clio vermelho, conduzido por Joyce Aparecida de Oliveira, 20 anos, na quadra 1 da rua Laudze Garcia Menezes, no Fortunato Rocha Lima. Em meio à lágrimas, parentes e vizinhos pediam providências em relação à falta de calçada, lombadas e radar na localidade.
Muito abatida, Rosângela Cristina Eugênia, esposa de Valdecir e mãe de Gabriela, contou à reportagem que o sonho do marido era melhorar a casa da família, próxima de onde o acidente aconteceu. A família passa necessidades até para se alimentar. "Nossa casa não tem portas ou muro e nosso maior desejo era reformar o imóvel e melhorar a vida de nossos filhos. Tanto é que, pouco antes do acidente, ele saiu de casa para buscar um fogão e um armário que ganhou e que estavam na casa de minha sogra. Agora não sei o que fazer. Preciso de força para cuidar dos meus outros três filhos que moram comigo. Só Deus".
Segundo informou Rosângela, o trabalho da coleta de recicláveis era a única fonte de renda da família.
Na opinião de amigos e vizinhos, Valdecir era um pai atencioso e os filhos sempre estavam com ele. "Ele chamava Gabriela de sua princesinha", lembra Claudenice Aparecida Guilherme, uma das vizinhas presentes ao velório.
Assim como outras pessoas que acompanharam a dor dos familiares, Claudenice aponta as falhas na sinalização da localidade como um fator de grave risco e que já gerou outros acidentes. "Não tem calçadas e é claro que as pessoas não podem andar no mato. Além disso, é preciso lombadas e radar, já que os motoristas não respeitam os limites de velocidade e dirigem sempre muito rápido por lá". A rua possui sinalização indicando que o máximo permitido é 40 quilômetros por hora.
Vizinhos contam que, até pouco tempo, a rua Laudze Garcia Menezes e proximidades não possuíam sequer iluminação e que, após muitos pedidos e alguns acidentes graves, as autoridades providenciaram energia elétrica no espaço público.