Política

Saúde volta a dominar sessão

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Os vereadores voltaram a usar a tribuna da Câmara Municipal para discutir a série de problemas que a cidade vem enfrentando na saúde. A situação precária do Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista, o aumento dos valores pagos pela prefeitura para os plantões médicos em urgência e emergência e o convênio com a fundação UNI para atendimento de pacientes no Bela Vista e críticas ao gerenciamento da rede municipal foram os pontos debatidos ontem.

Paulo Eduardo de Souza (PSB) foi o primeiro a trazer o tema, afirmando que a contratação da fundação de Botucatu é uma medida aguda para resolver o problema no PS do Bela Vista. O ponto levantado por Souza é que a fundação vai pagar R$ 1,2 mil aos médicos por plantão. "Mas será que o prefeito é tão idiota e o secretário é tão burro a ponto de não oferecer aumento aos médicos da rede? Claro que não. A prefeitura enviou projeto de lei que aumenta o valor do plantão e oferece o prêmio por atendimento", ressaltou.

A proposta mencionada pelo vereador deu entrada ontem na Casa. O projeto visa aumentar o valor dos plantões de urgência e emergência de R$ 600,00 para R$ 840,00 e premiação da equipe em R$ 4,00 por cada atendimento completado. Souza também comentou sobre a epidemia de dengue, lembrando que os munícipes precisam fazer sua parte, limpando tudo.

Chiara Ranieri (DEM) afirmou que não é contra o convênio com a fundação. "Desde que seja a solução real para o problema", afirmou. Ela, que acompanhou a visita ao PS da Bela Vista na última quinta-feira, lamentou a situação precária da unidade. "O que vimos lá não se resume à falta de médicos", observou.

Já Fabiano Mariano (PDT) sugeriu ao prefeito que antes de firmar o convênio coma Fundação UNI, a prefeitura deveria testar os resultados do projeto de lei que, se aprovado, aumentará os valores dos plantões e cria a premiação por atendimento. "Acho que seria melhor aguardar e primeiro poderíamos tentar essa solução, para só depois tentar o convênio", defendeu.

Fernando Mantovani (PSDB) fez um duro discurso, relatando a visita à unidade da Bela Vista. "É um descaso com os irmãos bauruenses. Senti uma tristeza que tomou conta do meu coração", pontuou. Ele também não poupou críticas ao secretário municipal de Saúde, Fernando Monti. "É o fundo do poço da gestão", afirmou. "Não há bons ventos para uma nau que não sabe o seu rumo", finalizou. O também tucano Giba dos Santos (PSDB) pediu agilidade ao secretário.

Marcelo Borges também ressaltou a situação crítica. "A saúde piorou muito. Faz tempo que ouço falar em priorizar a prevenção, na inversão da pirâmide do atendimento. Mas o que acontece é que tudo continua caindo no Pronto-Socorro", afirmou. "E nesses dois anos, aqui virou um grande sindicato. Aprovamos tudo para a saúde", lembrou, ressaltante que a úncia classe que a prefeitura não contemplou nos planos de carreira foi justamente a médica. O tucano também ressaltou que é favorável ao convênio e já adiantou que também aprovará a criação de uma fundação de saúde intermunicipal, em fase de estudo. "Bauru tem que ter uma entidade para liderar o processo de saúde", pontuou.


Defesa


Coube a Carlão do Gás (PR) rebater as críticas. Ele afirmou que tanto Monti quanto o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) tiveram coragem de elaborar os planos de carreira dos servidores e que o convênio com a Fundação UNI seria uma saída emergência e ressaltou não se tratar de terceirização do atendimento. "É uma medida para garantir o atendimento da população", pontua.

Líder do prefeito na Câmara, Renato Purini (PMDB) defendeu o Executivo. "É muito fácil falar genericamente sobre problemas de gestão. Mas não vi uma proposta concreta, a não ser aquelas que o próprio município está fazendo, como o convênio, a melhora do valor do plantão", enumerou.


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Faculdade de Medicina


O vereador Paulo Eduardo de Souza (PSB) voltou a comentar na tribuna a retomada dos esforços de líderes de Bauru pela instalação de uma faculdade pública de medicina na cidade. "Nunca foi tão possível esse sonho", afirmou. O vereador lembrou que se envolveu na proposta anteriormente, mas não conseguiu transpor algumas barreiras. No entanto, ele ressaltou que a nova tentativa tem tudo para dar certo. "Temos o empenho do prefeito, o ânimo decisivo do deputado Pedro Tobias (PSDB) e o aval do governador Geraldo Alckmin (PSDB)", contabilizou o vereador.

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