Regional

Livros da prefeitura de Ipaussu são apreendidos em sebo de Santa Cruz

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 3 min

Santa Cruz do Rio Pardo - Centenas de livros foram apreendidos ontem à tarde em um sebo (estabelecimento de venda de livros usados) em Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru). É a segunda apreensão em menos de 30 dias na cidade. O material teria sido descartado após fechamento da biblioteca de Ipaussu.

Dessa vez as publicações tinham carimbos da Biblioteca Municipal e da Escola Técnica de Ipaussu. Dois camburões da Polícia Militar ficaram lotados de livros. O material foi apreendido e levado até o 1º Distrito de Polícia.

O vereador de Ipaussu Eder Nascimento (PV) recebeu um telefonema anônimo com a denúncia de que grande quantidade de livros com carimbo de patrimônio da prefeitura de Ipaussu estavam sendo comercializados por um estabelecimento de Santa Cruz do Rio Pardo.

Ele acionou a polícia e no local encontrou o material. "O prefeito desativou a biblioteca municipal. Depois disso os livros sumiram", declarou o parlamentar, presidente da comissão de Educação do Legislativo. O dono do estabelecimento disse aos policiais que os livros tinham sido doados por uma professora de Santa Cruz, que leciona em Ipaussu.

Nascimento declarou que vai comunicar o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público para apurar qual é a responsabilidade da administração no desaparecimento dos livros do acervo da biblioteca.


Segundo caso em um mês


No começo deste mês, a Polícia Militar de Santa Cruz do Rio Pardo apreendeu grande quantidade de livros em um depósito de materiais recicláveis na rua José Ricardo Marques, vila Popular. No local, foram encontrados milhares de livros pertencentes ao acervo da Biblioteca Pública Municipal Professor Abílio Fontes, alguns com grande valor histórico, que foram descartados pela prefeitura. O fato, que gerou abertura de inquérito policial por parte da Polícia Civil, foi registrado como peculato (apropriação ou desvio de bens por servidor público).

Cerca 1.500 exemplares, em bom estado de conservação, foram encontrados prontos para serem reciclados. De acordo com o vereador Rui Reis (PV), o descarte dos livros teria ocorrido por falta de planejamento do Executivo. O material teria sido adquirido pelo dono do depósito de um catador de papel pelo valor de R$ 300,00. O vereador afirma que seu sentimento, diante do que considera um descaso da prefeitura, é de indignação e revolta.

A administração municipal limitou-se a informar que a titular da pasta instaurou sindicância interna para apurar os fatos e não deu mais explicações. A Polícia Civil está ouvindo os envolvidos em inquérito policial.

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Prefeito desconhece sumiço de livros


O prefeito de Ipaussu, Luiz Carlos Souto, informou ontem no começo da noite que desconhecia a apreensão e o sumiço dos livros. Ele admitiu que a biblioteca ficou um período fechada. "Houve reforma por isso ficou fechada, mas ela foi reaberta em outro local, próximo da Secretaria da Educação. Desconheço o sumiço dos livros. Pretendo verificar o que ocorreu", declarou Souto.

O diretor da Escola Técnica Pedro Leme Brisolla de Ipaussu, Carlos Eduardo da Silva, informou ontem à noite que os livros foram doados a um sebo de Santa Cruz do Rio Pardo.

Segundo ele, foi feito um processo de descarte pela bibliotecária da instituição. Os professores avaliaram quais os livros estavam desatualizados e poderiam ser doados.

"A biblioteca de nossa escola é muita antiga. Havia enciclopédia dos anos 70 desatualizada assim como livros técnicos de informática sem utilidade para os alunos. No lugar de mandar para reciclagem, doamos o livro para um estabelecimento que revende material usado. Assim o material continuaria em exposição", explica.

Silva afirma que isso ocorreu no início do ano para renovação da biblioteca, após a chegada de novos livros.


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