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Com 995 casos de dengue, PSC inicia triagem diferenciada hoje

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 6 min

Diante da demanda de centenas de pessoas com suspeita de dengue que têm lotado o Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru, a unidade inicia, a partir de hoje, uma triagem específica para atender esses pacientes. A ideia é agilizar e diminuir o tempo de atendimento desses pacientes, que serão priorizados. Somente ontem, 108 novos casos da doença foram confirmados, totalizando 995 desde o início do ano - sendo 992 autóctones e três importados.

Inicialmente, o atendimento dos pacientes com sintomas sugestivos de dengue será feito pelo setor de enfermagem, que passará todas as orientações necessárias, os cuidados e as datas corretas para a coleta de exame.

"Quando a pessoa fizer a ficha, se o caso dela for suspeita de dengue, ela vai para uma triagem diferenciada e terá o atendimento priorizado junto aos pacientes classificados como (setor) verde", explica Luiz Antônio Sabbag, diretor do departamento de urgência e emergência do PS Central.

O setor verde é destinado aos pacientes que, por lei, têm de ter o atendimento priorizado, como idosos e portadores de necessidades especiais. "A demanda neste setor é menor do que no azul, onde os casos de suspeita de dengue eram anteriormente atendidos", explica Sabbag. Embora afirme que a medida contribuirá para a agilidade no atendimento, o diretor do PS frisa a necessidade de mais médicos para atender especificamente esses casos.


Agilidade


"Vai ajudar, embora não desafogue o movimento (no PS Central) até que a gente consiga viabilizar mais médicos no atendimento, que é o que estamos tentando. Não é sempre que estou com o quadro completo, mas já fui autorizado, se for o caso, conseguir médico para fazer plantão extra para atender só (pacientes com) dengue", afirma.

Segundo Sabbag, o movimento no PSC tem sido 20% maior em relação ao mês de janeiro, aumento creditado por ele, principalmente, devido aos casos de dengue e de conjuntivite.

Para o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, o mais provável é que o futuro atendimento específico a pacientes com suspeita de dengue seja realizado por um médico do próprio quadro do Pronto-Socorro Central.

"Até que seja aprovado o projeto de lei que mandamos para a Câmara hoje (ontem), que tem entre os objetivos aumentar o valor (salário pago aos médicos) do plantão, acho difícil termos médicos interessados em fazer plantão extra", afirma.

Segundo ele, a proposta prevê o aumento do valor dos plantões de urgência e emergência de R$ 600,00 para R$ 840,00, além de premiação da equipe em R$ 4,00 por cada atendimento completado. A medida será válida somente para os médicos que atuam no PSC.

A questão do espaço físico para esses atendimentos também é um desafio, já que o PSC conta com apenas três salas de consultas e todas estão sendo utilizadas para os procedimentos de rotina.

Conforme divulgado pelo JC anteriormente, de acordo com os últimos dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) no Estado de São Paulo, Ribeirão Preto concentra 49,9% dos casos de dengue confirmados entre janeiro e fevereiro, seguida por Bauru, com 7,1%, Araraquara com 3,4% e Santa Fé do Sul, com 2,8%. Duas pessoas morreram após contrair dengue neste período, sendo uma em Osasco e a outra em Andradina.

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Secretário admite possível subnotificação dos casos


Bauru atinge quase mil casos de dengue em 2011 e o número real pode ser ainda maior, segundo o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti. De acordo com ele, é possível que esteja havendo uma subnotificação dos casos. "A nossa impressão é que nem todos os casos são notificados, fazendo com que o número de infectados tenha sido maior do que o contabilizado", afirma. A secretaria não tem a estimativa de qual seria esse número real.

Segundo Monti, a secretaria intensificou o trabalho de orientação junto à rede particular para que todos os casos sejam registrados. "Todos os casos devem ser notificados à Vigilância e temos reforçado isso com os planos de saúde, hospitais, clínicas e consultórios privados", afirma sobre as unidades privadas de saúde que, assim como a rede pública, tiveram o movimento intensificado nos últimos dias devido à procura por atendimento de pacientes com suspeita de dengue.

De acordo com a gerente de enfermagem do Hospital da Unimed, Ediana Preifler Melchiades, cerca de 50 dos 200 atendimentos feitos pela unidade por dia são de casos de suspeita de dengue. "O número de pacientes com esse quadro é grande, e tanto os casos suspeitos quanto os confirmados são notificados à Vigilância", afirma.

Segundo Ediana, todos os casos de suspeita de dengue que chegam ao hospital são atendidos por infectologistas. "Estamos tomando todas as providências para que as pessoas sejam orientadas da melhor forma para conter essa epidemia".

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Fernando Monti descarta
visita agendada nas casas


Embora estude a possibilidade de um serviço telefônico específico para a dengue - como o Disque Bauru Combate à Dengue proposto pelo vereador Paulo Eduardo de Souza (PSB) -, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, afirma ser inviável um atendimento personalizado para a população.

"Na situação em que estamos, você abrir a possibilidade de agendar uma visita e ir na casa no dia em que a pessoa está disponível, demandaria a mobilização de equipes de uma forma que não conseguiríamos dar a cobertura que a cidade precisa", avalia.

"Estamos avaliando a possibilidade de criar o disque sugerido, mas a medida depende da criação de toda uma estrutura e não dá para criarmos uma grande estrutura para um problema que é episódico, que vai passar", completa.

Segundo Monti, a megaoperação tem surtido o efeito desejado. "É mais eficiente fazermos as coisas concentradas. Mas podemos criar um sistema de registro para fazer certos rescaldos de imóveis que ficaram para trás. As ações feitas nos finas de semana têm sido uma boa estratégia", completa.

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Megaoperação continua no Santa Edwirges hoje


As ações da megaoperação contra a dengue serão mantidas no Parque Santa Edwirges hoje, com vistoria nos imóveis e coleta de material inservível (possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti). Ontem foram recolhidas 4,3 toneladas de material, com vistoria em 753 imóveis do bairro e do Jardim Samambaia.

De acordo com Mário Ramos, coordenador da comissão da megaoperação e também médico veterinário do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru, a pendência na área noroeste da cidade - que inclui os bairros citados acima e outros considerados como locais de maior incidência dos casos - é inferior a 33%.

"A porcentagem de pendência, que representa o número de locais não vistoriados tem de chegar a 15%, mas em alguns bairros já baixamos para 8, 10%", afirma.

A operação, iniciada no dia 14, soma 56 toneladas de material recolhidas, vistoria em 8.742 imóveis e registro de três autuações devido à recusa por parte de responsáveis por imóveis visitados. A retomada do serviço de nebulização está prevista para amanhã.

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