Bairros

General Eduardo: País é capaz de abraçar novas

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

O general de divisão, comandante da 2.ª Região Militar (RM), Eduardo Segundo Liberali Wizniewsky, visitou ontem Bauru. A cidade está no cronograma de despedidas oficiais que o oficial faz do atual cargo.

Ele deixará a chefia da RM, responsável por coordenar as atividades do Exército Brasileiro em todo o Estado de São Paulo, para assumir o subcomando no Comando Logístico da instituição, o Colog, em Brasília (DF).

Recebido na sede da 6.ª Cirscunscrição do Serviço Militar (6.ª CSM), comandada pelo coronel Henrique Ribeiro Rhoden, o oficial elogiou os trabalhos da caserna bauruense, hierarquicamente responsável por unidades militares do Exército em 161 municípios até as divisas com os Estados do Mato Grosso do Sul e Paraná. O prefeito Rodrigo Agostinho também presenciou a formatura de recepção ao general.

Em entrevista pouco antes da solenidade, o futuro subcomandante logístico do Exército Brasileiro destacou que, apesar dos desafios, a nova missão não é novidade, já que, durante cinco anos foi diretor de suprimento da instituição. "De qualquer maneira é um desafio grande. Hoje a logística toma dimensão cada vez maior. O Exército passa por um processo de transformação. Coerente com a estratégia nacional de defesa, planeja redistribuição das forças em todo território nacional", detalha.

Apesar desse estágio transitório, o general, quando indagado sobre as pretensões brasileiras em integrar, permanentemente, uma vaga no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), garante que o Exército Brasileiro tem totais condições de encampar outras missões pacificadoras, semelhantes ao recente trabalho no Haiti. "Isso implicará na assunção de novos compromissos por parte do Brasil, entre eles a contribuição mais efetiva em outras missões", adianta.

Para ele, entretanto, o País tiraria de letra o envio de mais tropas para áreas conflituosas no Exterior. "Como fruto de nossa experiência desde os anos 1940 em missões de paz digo, sem medo de errar, que o Brasil é um dos países com maior experiência nesse tipo de missão. Não haverá qualquer sobressalto nisso. Estamos preparados", assegura o general, atuante em trabalho pacificador durante os anos 1990 em Angola, após anos de guerra civil na nação africana

O oficial antecipa que a readequação visa, principalmente, a região Norte do País. "Nossa prioridade atualmente é a região amazônica, para onde são transferidas algumas unidades e, principalmente, implantados novos pelotões de fronteira e também do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia)", detalha Wizniewsky.

De acordo com o general, uma das maiores necessidades do Exército, atualmente, é a modernização de material. "Nosso principal objetivo é o reequipamento", anuncia. "Embora estejam em condições operacionais, necessitam de atualização", admite.

Os novos equipamentos do Exército, de acordo com o general, mesclam fabricação nacional e importação de blindados. "Temos uma nova família de blindados sobre rodas, o Guarani, em fase de protótipo com breve confecção do lote piloto, produto 100% nacional e outros projetos de reestruturação, como a introdução dos novos blindados adquiridos na Alemanha e estudos para readequação de nossa artilharia antiaérea", cita.

Orgulho

Para o comandante da 6.ª CSM em Bauru, coronel Henrique Ribeiro Rhoden, a visita do general também sinaliza o reconhecimento do comando do Exército com os militares locais. "Ficamos muito honrados com que ele veja nossos trabalhos. A visita é importantíssima, para mostrar para o nosso soldado que seu trabalho é reconhecido. Dificilmente um soldado tem um contato direto com o general, até mais pela distância com São Paulo. Por isso, é extremamente importante o fato dele estar conosco hoje (ontem)", valoriza o oficial.

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Alistamento obrigatório deve continuar, afirma

A obrigatoriedade do alistamento militar para jovens que completam 18 anos também foi assunto durante a entrevista do general Eduardo. Para o ainda comandante da segunda Região Militar - que será assumida pelo também general Roberto Sebastião Peternelli Júnior -, o alistamento compulsório à entrada na maioridade deve ser mantido. Entretanto, admite a possibilidade de revisões no atual sistema de recrutamento.

"A posição é pela manutenção do serviço militar obrigatório. Mas é uma posição que poderá, dependendo das proposituras da sociedade, vir a ser revista", observa. "Na prática, o serviço militar hoje é quase totalmente voluntário. Como os efetivos a incorporar não têm sido grandes, praticamente apenas com voluntários conseguimos preencher as nossas necessidades", diz. "Entretanto, a posição no momento é pela manutenção do serviço militar obrigatório, como prevê a legislação atual", reforça.

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