Lisboa - Acompanhado da presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na manhã de hoje o prêmio do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, em uma cerimônia no Parlamento português com o presidente do país, Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, José Sócrates.
A visita de Dilma a Portugal nesta semana é uma promessa que ela havia feito ao seu antecessor de acompanhá-lo quando ele ganhasse um prêmio internacional. A afirmação é do próprio Lula, que vai três homenagens no país. "Ela tinha prometido que quando eu recebesse o primeiro prêmio internacional ela viria, e está cumprindo", declarou Lula, que negou qualquer divergência com a presidente.
"Não há a menor hipótese (de divergências). Porque o dia que tiver uma divergência entre eu e a Dilma, ela está certa. Obviamente que tem gente torcendo para que haja qualquer coisa, mas não haverá nada entre Dilma e Lula. Temos uma relação ideológica e política muito forte."
Aplaudido de pé, o ex-presidente brasileiro deu "dicas" para Portugal sair da crise econômica e criticou a atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que deve socorrer a economia portuguesa. Ele defendeu também a redução das taxas de juros de bancos europeus em Portugal.
"A crise mundial tem responsáveis diretos: é um sistema financeiro especulador. Eles têm que agir com mais rapidez. Por que o FMI ficava dando palpite quando a crise era na América Latina e agora demora para agir na Europa?", questionou o ex-presidente, que aconselhou Portugal a investir no mercado interno, como disse ter feito em seu governo.
Lula voltou também a defender uma reforma na Organização das Nações Unidas (ONU), que está "estagnada em meados do século 20", mas reafirmou que não quer fazer parte do organismo.