O médico que atendeu aos chamados de familiares de Marlene Aparecida de Souza, que faleceu em sua casa anteontem enquanto aguardava o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), foi afastado do serviço temporariamente. A informação é do médico e coordenador do Samu de Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi. Ele deve ficar afastado das funções de atendimento junto ao órgão até que a Secretaria Municipal de Saúde analise o caso com detalhes. Conforme publicado na edição de ontem do JC, embora a causa da morte ainda não tenha sido divulgada pelo Instituto Médico legal (IML), a família da vítima acusa o Samu de descaso no atendimento da ocorrência em questão. Questionado sobre o mau atendimento mencionado pela família de Marlene, Sacomandi disse que escutou as gravações do atendimento feito por telefone e que o médico não foi grosseiro com a família da vítima, mas que houve uma falha na avaliação médica. “Esse médico pediu para conversar com alguém da família (no primeiro telefonema feito por uma vizinha da vítima) porque precisava de informações detalhadas da saúde da vítima. Talvez por falta de informações, fez um diagnóstico errado. Ele deveria ter mandado uma ambulância imediatamente, mesmo que essa pessoa já estivesse morta. Depois desse resultado triste, tenho certeza de que era para o médico ter mandado o socorro rapidamente”, avalia Sacomandi. Segundo ele, as gravações serão analisadas em uma reunião com o secretario municipal de Saúde, Fernando Monti, o diretor do Departamento de Urgência e Emergência do Pronto-Socorro Central, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, e o próprio Sacomandi. Se for constatada negligência médica, o plantonista não deverá voltar para o Samu. “Isso deve ter um desdobramento jurídico, e dependendo do resultado judicial, esse médico talvez nunca mais volte para o serviço”, observa o coordenador do órgão.
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Demora no atendimento esbarra em estrutura
A falta de ambulâncias no trabalho do Samu tem sido apenas uma das causas da demora no atendimento à população. Segundo o coordenador do serviço, Carlos Eduardo Sacomandi, o número de chamados tem sido cada vez maior. Por dia são cerca de 60 chamados. Conforme matéria publicada no JC no último dia 3, em 2009 foram 21,1 mil atendimentos feitos pelo Samu. No ano passado o número diminuiu, mas passou longe de ser pequeno: 18,8 mil. Entre os principais chamados estão casos de quadros infecciosos, tentativas de suicídio, acidentes com vítimas, choque elétrico e acidentes com produtos perigosos. Outra situação que prejudica a própria população são os trotes e os enganos. Em 2009 foram 6,2 mil trotes. No ano passado caiu para 3,5 mil. Em relação aos enganos, em 2009 foram 2,3 mil, e no ano passado saltaram para aproximadamente 3 mil. Quanto à falta de ambulâncias, problema antigo que atinge o órgão, Sacomandi informou que na próxima semana as quatro viaturas que estão recebendo reparos em Araçatuba devem estar de volta a Bauru para ampliar o atual quadro de quatro veículos em circulação na cidade. Mesmo assim, outras seis ambulâncias continuam em manutenção.