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Radiação no Japão rompe raio de segurança

Folhapress
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Tóquio - A agência nuclear da ONU, AIEA, encontrou ontem índices altos de radiação fora do raio de segurança de 20 km criado pelo governo japonês em volta da usina nuclear de Fukushima 1.

A descoberta está fazendo Tóquio considerar a remoção de mais 130 mil pessoas da área afetada.

A primeira zona de exclusão já havia deslocado aproximadamente 70 mil pessoas. Até então, ela abrangia um raio de 20 km a partir da usina nuclear.

Já pessoas que moram entre 20 km e 30 km da usina foram orientadas a permanecer em suas casas. Os que manifestaram o desejo de deixar a região receberam transporte para abrigos afastados.

A nova leitura de radiação foi feita na cidade de Iitate, a 40 km a noroeste da usina nuclear Fukushima 1.

Segundo Elena Buglova, alta funcionária da AIEA, as leituras de radiação na cidade atingiram 2 megabecquerels por metro quadrado (unidade de medida de radioatividade). A quantidade é dobro do limite adotado pela ONU para determinar a retirada de moradores de uma determinada região.

Funcionários da agência disseram que as leituras de radiação em Iitate foram registradas de forma esporádicas e em apenas uma região.

A agência informou que a radiação foi medida em amostras de iodo-131 e césio-137 encontradas no solo entre 18 e 26 de março.

Denis Flory, outro alto funcionário da AIEA, foi questionado se a agência recomendou a retirada dos moradores da cidade. Após hesitar, ele afirmou que as autoridades japonesas estão analisando a situação.

O premiê Naoto Kan, que vinha sendo criticado por suposta falta de ação durante a crise, informou que estuda aumentar o raio da área de exclusão. A hipótese da contaminação radioativa em Iitate já havia sido levantada por ativistas do Greeenpeace no início da semana.

A AIEA também confirmou que Singapura encontrou iodo -131 em carregamentos de repolho importado do Japão. O índice de radiação constatado está nove vezes acima do limite de segurança estipulado pela ONU.

Alto risco


O diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano disse que a situação na usina Fukushima 1 permanece muito grave, apesar dos esforços das autoridades japonesas para controlar a crise.

Operários tentam há três semanas resfriar os reatores nucleares da usina. O governo japonês estuda a estatização da empresa dona da usina para enfrentar a crise.

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