Polícia

Inquérito vai apurar se houve negligência em atendimento do Samu após morte de mulher

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A morte de Marlene Aparecida de Souza, 50 anos, que esperou cerca de 40 minutos para receber atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na última terça-feira em Bauru, se tornou alvo de investigação policial. Conforme divulgado ontem pelo JC, o médico que fez o atendimento por telefone foi afastado enquanto o caso é analisado.

Sabendo das atuais condições de trabalho do Samu e de mais uma reclamação de demora feita anteontem pelo munícipe João Ricardo Sardinha - que pediu socorro à sua namorada em convulsão, mas o Samu não chegou -, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a morte de Marlene e checar o que de fato está acontecendo com o órgão.

Segundo o delegado do 1º Distrito Policial (DP) de Bauru, Eduardo Sganzela, o caso foi registrado no Plantão Policial de Bauru como morte suspeita. No entanto, é necessário saber o que de fato aconteceu. "Nós precisamos saber se a morte da mulher foi natural ou se realmente ela faleceu por falta de socorro imediato", disse o delegado.

Para isso, hoje ele tomará o depoimento de familiares e de outras pessoas que prestaram o primeiro socorro à vítima. Além disso, o delegado oficiará o coordenador do Samu, Carlos Eduardo Sacomandi, para que as gravações de todas as ligações feitas ao órgão pela família e por pessoas que tentaram ajudar Marlene sejam fornecidas à Polícia Civil.

Sganzela colherá o laudo do exame necroscópico emitido pelo Instituto Médico Legal (IML), que deve estar pronto dentro de 15 dias - a partir da data do óbito -, e o laudo pericial da Polícia Científica, que também esteve na casa de Marlene, onde ela faleceu antes de receber o socorro. Posteriormente, todos esses documentos serão reunidos e encaminhados ao Fórum de Bauru.

"Nós vamos investigar tudo o que pudermos. Vamos checar também quais os remédios que Marlene tomava regularmente, se ela tinha pressão alta ou outras doenças. Vamos também checar quem foi o atendente que orientou a família e se a demora no atendimento influenciou na morte de Marlene", acrescentou o delegado.


Condições de trabalho


As reais condições de trabalho dentro do Samu também serão apuradas com o inquérito. Quantas pessoas trabalham, quantas solicitações eles recebem, quantas viaturas possuem para trabalhar, enfim, como está a estrutura do órgão. Será investigado também porquê um médico foi afastado depois do ocorrido.

Na data do fato, o coordenador do Samu, Carlos Eduardo Sacomandi, informou à equipe de reportagem do Jornal da Cidade que as quatro ambulâncias do Samu - sendo três de suporte básico e uma de suporte avançado - que estavam em funcionamento na terça-feira estavam fazendo atendimentos no momento em que foi feito o pedido da família de Marlene de Souza.

Outras quatro viaturas que compõem a frota estão em uma concessionária autorizada em Araçatuba passando por manutenção, com previsão de serem liberadas para uso na próxima semana. Há ainda cinco ambulâncias que estão em uma concessionária de Bauru e uma parou de rodar nesta semana. Ou seja, apenas quatro veículos estão atendendo toda a cidade.

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