Bairros

Bauru gasta quase R$ 500 mil para tapar os buracos deixados durante o período de chuvas

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 7 min

Passam as chuvas, ficam os prejuízos. Talvez os buracos em vias públicas sejam os mais nítidos. Eles estão em todos os lugares, seja nos bairros ou em grandes avenidas. Estimativa feita a pedido do Jornal da Cidade aponta a existência de aproximadamente 33 mil buracos em Bauru, média de três por quadra, considerando apenas as ruas pavimentadas. A incidência de buracos aumenta em 40% no período chuvoso e os gastos com operações para tapá-los chegam a quase R$ 500 mil, apenas entre os meses de dezembro e março. Tão difícil quanto conviver com as crateras é saber que o serviço de tapa-buracos é paliativo e não resolve.

De acordo com Eliseu Areco, que responde pela Secretaria Municipal de Obras, esse problema é causado pelo asfalto antigo das ruas do município. Ele explica que a pavimentação deve receber manutenção a cada cinco ou sete anos. No entanto, a idade média do asfalto de Bauru é de 10 anos, chegando a 15 em alguns pontos da cidade.

"Tapar os buracos não é a medida ideal para resolver o problema. É fundamental que as quadras sejam inteiramente recapeadas. E esse é o caminho que vem sendo seguido pela Secretaria de Obras", afirma Areco.

Mesmo com a tentativa por parte do poder público municipal de priorizar os serviços de recapeamento em detrimento às operações tapa-buracos, 80% do material asfáltico e humano utilizado nos meses chuvosos são destinados à medida paliativa por conta das condições climáticas do período e do aumento de casos emergenciais. "Não dá para fazer recapeamento com chuva e, para piorar, o número de buracos aumenta em até 40%".

Considerando a quantidade de massa asfáltica produzida pela usina municipal, o custo de R$ 400,00 por metro cúbico do material e o brusco aumento da necessidade de serviços de tapa-buracos no período chuvoso (de 50% para 80%, segundo o próprio secretário), estima-se que sejam gastos cerca de R$ 490 mil tapando buracos das ruas e avenidas de Bauru entre os meses de dezembro e março.

Gastos

Os dados também apontam o grande número de buracos existentes na cidade. Segundo Eliseu Areco, para tapar um buraco de tamanho médio, com 50 centímetros de comprimento, outros 50 de largura e cinco de profundidade, são necessários apenas 0,0125 metros cúbicos de massa asfáltica, o que custa R$ 5,00, de acordo com o valor por metro cúbico do material informado pelo próprio secretário.

A estrutura da Secretaria Municipal de Obras conta atualmente com seis equipes que executam os serviços de tapa-buracos. Cada uma delas é composta por um caminhão, um motorista e cinco funcionários. "O problema com buracos é mais frequente onde existe maior fluxo de veículos. Cinco equipes trabalham nas grandes avenidas e fazem também o trabalho bairro a bairro. O outro caminhão atua em situações emergências, quando por exemplo, abre um grande buraco inesperadamente", explica Eliseu.

O secretário afirma que não há determinada uma média de tempo para que um buraco tapado volte a apresentar problemas. No entanto, por conta do desgaste do asfalto vencido em diversas vias, novos buracos podem aparecer ao lado dos que foram temporariamente tapados.

"Há também alguns casos em que não conseguimos resolver o problema de mais de um buraco na mesma quadra de uma só vez por diversos fatores, como quando acaba a massa disponível no caminhão", aponta.

Apesar disso, Areco explica que as equipes atuam em setores, tentando resolver os problemas bairro a bairro.

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Recape é prioridade, diz secretário

No período de um ano, entre julho de 2010 e junho de 2011, a Prefeitura Municipal deve atingir o número de 1.050 quadras recapeadas, com investimentos de R$ 10 milhões, sendo R$ 2 milhões com recursos próprios da Secretaria de Obras e outros R$ 8 milhões pagos a empresas terceirizadas. "Para alcançar as 1.050 quadras, faltam ser recapeadas apenas 120, que já foram licitadas e devem ser entregues até o segundo semestre desse ano", garante o secretário.

Do total de quadras recapeadas, 450 receberam os serviços executados pela própria administração e apresentam custo de estimado de R$ 9.500,00 por quadra. Já o mesmo trabalho realizado por empresas particulares custa R$ 16 mil. A alternativa da terceirização, porém, precisa ser adotada por conta do limite de produção da Usina de Asfalto Municipal, que é de 4.600 metros cúbicos de massa asfáltica por ano, destinados à Secretaria de Obras.

Eliseu Areco conta que, quando assumiu o cargo no início de 2009, 70% do material fabricado pela usina era utilizado em serviços de tapa-buracos e apenas 30%, em recapeamento. No ano passado, a administração conseguiu elevar essa taxa para 50% e a meta é terminar o ano com 70%, invertendo a realidade encontrada no início do governo Rodrigo Agostinho.

No entanto, apesar dos esforços da prefeitura, o problema está longe de ser resolvido, pois segundo o secretário de Obras, das 11 mil quadras já pavimentadas da cidade, 5.950 precisam ser recapeadas. "Mesmo com as 1.050 quadras onde esse serviço já foi executado, precisaríamos de mais de R$ 95 milhões para recapear todas as outras que precisam", afirma Areco. Essa é uma meta praticamente impossível, considerando que o orçamento da Secretaria destinado a recape e tapa-buracos é de R$ 2 milhões anuais e, enquanto não são recapeadas as ruas com asfalto já vencido, outras vão superando seu prazo de validade.

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Ônus é da população

Apesar dos gastos da prefeitura na tentativa de resolver a grande quantidade de buracos decorrentes do período de chuva, o esforço não é suficiente. Resultado: descontentamento generalizado.

Um exemplo pode ser conferido na quadra 8 da rua Tamandaré, Vila Nipônica. Por toda a sua extensão, existem buracos grandes, médios e pequenos. Morador da região desde a infância, Carlos Alberto Bertucci, 57 anos, acredita que de nada adiantam os serviços de tapa-buracos. Para ele, somente investimento em recape resolveria o problema de uma vez por todas. "Isso é muito antigo. Entra prefeito, sai prefeito e nada é feito aqui na Vila Nipônica. Inclusive, acontecem vários acidentes. Tapar buracos não adianta, deveria ser feito um trabalho mais adequado na cidade. O prefeito tem que pensar mais no povo, que sofre com esse e outros problemas. Pagamos impostos e temos esse direito", afirma Carlos Alberto.

Luiz Geremias dos Santos, residente na Vila Falcão, diz já ter passado por sérios problemas por conta de grandes buracos no asfalto. "Eu mesmo já fui atropelado porque um carro teve que desviar de um buraco e bateu em minha bicicleta. Estava indo para o trabalho, mas tive que ir para o hospital. Os representantes públicos favorecem somente aqueles que têm maior poder financeiro e o povo fica a mercê de situações como essa", conclui Geremias.

Morador da quadra 4 da rua Santa Maria, via sem asfalto na Vila Industrial, Emerson José Correa diz que os gastos com tapa-buracos são dinheiro jogado fora, porque chove e o buraco volta. "Tenho dificuldade em transitar com minha moto. Chove e a situação continua. Nas ruas de terra é pior ainda. Quanto eles não gastam com essas máquinas para terraplanagem? Isso é muita incompetência, no meu modo de pensar", reclama. Assim como a quadra em que Emerson mora, outras 3 mil em Bauru ainda são vias de terra e precisam ser asfaltadas.

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Carros nas oficinas

Problemas em automóveis provocados por buracos nas vias. Essa é uma realidade para muitos bauruenses, segundo o mecânico Paulo Fernando Cosin, que trabalha em uma oficina na cidade. Ele conta que atende, em média, seis clientes por dia por conta de situações como essa. "A maioria dos veículos vêm com problemas no escapamento", aponta.

Paulo garante que o proprietário de um carro popular nacional costuma gastar em torno de R$ 600,00 para resolver esse tipo de problema na oficina mecânica. No entanto, em casos de carros importados, os gastos podem chegar a R$ 2 mil, até mesmo pela dificuldade em encontrar as peças adequadas.

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