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Após protestos, lombadas são instaladas

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Após vários protestos da população, a Secretaria Municipal de Obras, por meio da Divisão de Pavimentação, iniciou ontem a implantação de obstáculos na rua Laudze Garcia Menezes, no Núcleo Fortunato Rocha Lima. Além de pintura da sinalização "devagar" e de faixas amarelas, foram instaladas as tão pedidas lombadas. No último sábado, pai e filha morreram atropelados na via, que funciona como marginal da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a Bauru-Marília.

Ontem foram instaladas três lombadas na rua em questão. Simultaneamente, funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) fizeram a pintura e sinalização do solo. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, até o fim da tarde de hoje ainda serão implantadas outras duas lombadas.

As melhorias vieram após os protestos feitos no começo da semana, quando moradores dos bairros Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá e Jardim Eldorado, que são cortados pela Laudze Garcia Menezes, revoltaram-se e fizeram uma série de barricadas com fogo interditando a via. O estopim da manifestação foi a tragédia ocorrida no último sábado.

Na ocasião, o coletor de recicláveis Valdecir Monteiro, que completou 48 anos exatamente no dia da tragédia, e sua filha caçula Gabriela, de apenas 4, foram atingidos por um Renault Clio conduzido por Joyce Aparecida de Oliveira, 20 anos.

Com a instalação das lombadas e a pintura na via, Solange da Silva, 43 anos, presidente da associação de moradores do Parque Jaraguá e uma das organizadoras da manifestação, parabenizou os moradores.

"Foi a nossa mobilização que trouxe essas melhorias. Se não tivéssemos feito nada, tudo continuaria como estava e mais gente poderia se machucar e, como aconteceu, até morrer", afirma.

Em pé ao lado de uma placa caída com os dizeres "Cuidado. Não corra. Não mate. Não morra", feita pelos próprios manifestantes, ela espera não ter mais que protestar. "Espero que essas melhorias continuem e que ninguém morra mais aqui. Minha intenção e dos outros moradores é poder aposentar essa placa e não ter mais que usá-la".


Calçadas e radar


Solange da Silva, entretanto, ainda cobra outras melhorias na via. "Aqui passa muito carro e tem muita gente. Eu sei que é difícil, mas podiam colocar um radar. Também acho que precisam fazer as calçadas", complementa, em tom de cobrança.

Em relação ao radar, o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, disse que a possibilidade é remota, pois segundo ele, "não há essa necessidade".

Sobre as calçadas, a reportagem constatou que, em grande parte da via, elas não existem. Conforme o JC veiculou, o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, disse que vai analisar a questão para saber se a responsabilidade é da prefeitura, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) ou dos próprios moradores.

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Moradores da região comemoram,
mas reivindicam mais melhorias


O mesmo tom de comemoração mesclado ao de reivindicação também paira sobre o restante dos moradores da região. O operador Ailton Martins Campos Filho tem 44 anos e mora no local a maior parte de sua vida. "Vivo aqui há 30 anos. Acho que agora vai dar uma melhorada. Sempre tive uma preocupação muito grande aqui porque, em minha casa, tem seis crianças. Tenho que deixar elas trancadas com medo de uma tragédia. Agora, acho que finalmente vou poder ficar mais tranquilo".

Já Luiza de Souza Teixeira, 40 anos, também ficou feliz com os obstáculos, entretanto, questiona a demora e pede mais melhorias. "Eu acho que ficou bom, mas por que não foi feito antes? Precisou a tragédia para isso? E ainda acredito que precisa melhorar mais. Têm que ver essas ruas de cima (as paralelas). Sempre ocorrem vários acidentes nelas também", alerta.

Já Joel Aparecido Alves, 19 anos, acredita que a instalação dos obstáculos nada mais é do que o dever da prefeitura. "Eu pago meu imposto e acho que todo morador daqui também paga. Acredito que, finalmente, eles estão sendo usados de forma certa. Acho que agora os carros vão passar mais devagar e vamos evitar tragédias como as que temos visto", conclui o jovem.

Em novembro do ano passado, acidente semelhante no Jardim Eldorado, a cerca de 300 metros do atropelamento registrado anteontem, resultou na morte de Paola Thamara Silva Zanino, 8 anos. Na ocasião, a vítima andava pela quadra 3 da rua Pastor Eduardo Alves Leite quando foi atingida pela motocicleta conduzida por Cláudio Alves Freire Pinto, 19 anos.

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