Rural

Ministro quer a importação escalonada de trigo da Argentina


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Os ministros de Agricultura do Brasil e da Argentina negociam instrumentos para escalonar o volume de trigo argentino que é ofertado ao mercado brasileiro, segundo o ministro Wagner Rossi, que não detalhou quais instrumentos seriam esses.

"Queremos organizar o fluxo de entrada do trigo no Brasil porque há uma demanda, natural, de que as importações não sejam feitas todas no momento da safra brasileira, já que isso deprime os preços do trigo produzido pelo Brasil", disse Rossi ao lado de sua contraparte argentina, Julián Domínguez, durante entrevista coletiva em Buenos Aires.

Ele negou que o governo brasileiro vá interferir no setor privado, mas defendeu uma melhor organização das importações. Indagado sobre se o Brasil adotaria instrumentos similares aos da Argentina, que abre e fecha o fluxo do comércio com o exterior para regular a oferta interna, ele disse que não.

Afirmou ter consciência de que o mercado é privado, mas que o governo pode "induzir práticas". "A importação de trigo argentino pelo Brasil tem que ocorrer de uma forma organizada. Mas antes temos que combinar com os russos", brincou o ministro, referindo-se aos importadores brasileiros.

Rossi disse ter conversado com o setor privado antes de ir à Argentina, onde presidiu hoje a reunião do Conselho Agropecuário do Cone Sul (CAS).

Segundo Rossi, a ideia é que o setor privado se autorregule por meio da Câmara Setorial do Trigo. O ministro brasileiro reafirmou a parceria com a Argentina no diz que respeito à compra do cereal. O país é o maior fornecedor de trigo para o Brasil.


França


Durante a entrevista concedida em Buenos Aires, Wagner Rossi voltou a criticar o governo da França pela polêmica proposta de regular os preços commodities agrícolas.

"Durante décadas, os preços estiveram deprimidos e não me lembro de nenhum país ter nos chamado para recompô-los. Hoje temos boas cotações e a França quer restringir os ganhos dos produtores. A proposta penaliza quem produz com eficiência".

Ele ainda comentou que o Brasil levou tecnologia à África para ajudar no desenvolvimento da produção de alimentos e que tem percebido pouca demonstração de solidariedade da Europa aos países que realmente necessitam.

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