Um grupo formado por representantes da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - instituição que gerencia o Hospital de Base e a Maternidade Santa Isabel ?, Secretaria de Estado da Saúde, Secretaria Municipal de Saúde e Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) irá estudar a transição do gerenciamento da maternidade para a fundação. A decisão sobre o futuro do Hospital de Base também está cada vez mais próxima. Foi encerrada nesta semana a auditoria encomendada pelo governo na unidade. A partir dos resultados, o Estado irá se pronunciar.
O presidente do conselho técnico de intervenção da AHB, Aparecido Donizeti Agostinho, observa que ainda não há nenhum posicionamento oficial do governo sobre a nova administração da maternidade, a única que atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) na região de Bauru. Porém, ele argumenta que será criada uma comissão com todos os envolvidos para discutir os pontos do processo. "Serão abordados todos os aspectos que envolvem esse tipo de ação", observa. No entanto, ele adianta que ainda não foram definidos os representantes desse grupo, nem a data da primeira reunião de trabalho.
"Na prática, o que queremos é resolver a situação dos hospitais", pontua o médico. "A situação dos hospitais é muito complicada do ponto de vista de financiamento, em função das dívidas milionárias", explica. "Se com a chegada da Famesp houver a injeção de recursos, resolver o problema da área física com a reforma e voltar a uma situação de normalidade no atendimento, que nós temos hoje, mas durante muito tempo, infelizmente, foi difícil, se tudo isso de fato ocorrer, não temos nada contra que a Famesp, ou outra entidade, venha assumir. Queremos trabalhar com qualidade", enfatiza Agostinho.
Outro aspecto que ele levanta é o tipo de financiamiento público da entidade. Atualmente, a AHB possui como principal fonte fixa os repasses do SUS. O montante é muito inferior às necessidades das unidades. A instituição acumula déficit mensal de R$ 1,8 milhão. "O financiamento é insuficiente, independentemente da dívida. E é isso que a Famesp provavelmente vai atuar. Ela precisa fazer uma avaliação de quanto seria necessário para que as atividades sejam mantidas comqualidade de atendimento", observa.
Agostinho informa que a situação do corpo clínico da maternidade também será estudada pela comissão. Outro ponto que também terá que ser levado em conta é a relação com a prefeitura. A Secretaria Municipal de Saúde mantém médicos trabalhando na maternidade, para atender casos de urgência e emergência em obstetrícia.
Ele observa que a Famesp, caso realmente assuma a maternidade, terá que adotar uma maneira diferenciada para gerenciar o hospital, uma vez que é uma unidade de portas abertas, ao contrário do Hospital Estadual, que é administrado pela mesma instituição, mas realiza apenas atendimentos referenciados.
"Ao assumir a maternidade, a Famesp teria que se adaptar a essa nova situação e, com certeza, todos os ajustes serão realizados. Não dá para usar o mesmo modelo para instituições de portas abertas. Caso seja mes-mo a fundação a assumir. Se não houver agilidade no atendimento, a situação pode ficar caótica", alerta o médico. O dirigente ressalta que o atendimento à população será mantido durante a fase de transição.
Hospital de Base
Enquanto isso, a definição sobre o futuro do Hospital de Base continua em discussão. Nesta semana, a auditoria contratada pela Secretaria de Estado da Saúde finalizou a coleta de informações. Agora, ela terá até o dia 10 de abril para apresentar um relatório ao Estado. A partir dessa pesquisa, a Secretaria de Estado da Saúde irá se posicionar.
"Foi um auditoria global, que fez levantamento sobre patrimônio, despesas, faturamento. Foi algo bastante complexo e talvez demore para uma conclusão", pontua Agostinho. Porém, ele observa que as perspectivas são positivas. "Nunca senti tanta boa vontade em resolver o problema quanto na última reunião que tivemos na Secretaria de Saúde", afirma.
Sindicato dos Enfermeiros
O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (Seesp) se reuniu com dirigente da AHB para debater a situação dos profissionais da entidade. De acordo com Natanael Costa, diretor do sindicato, a associação se mostrou atenta às necessidades da categoria e estaria organizando até cursos de atualização de profissionais caso seja necessário algum processo seletivo se for definida a transição de gerenciamento das unidades.
Ele também afirma que a ação trabalhista do sindicato contra a AHB está na fase de cálculos. O sindicalista explica que serão relacionados mais profissionais que ficaram de fora do cálculo inicial e adianta que a AHB apresentou uma contestação, que está em recálculo. "Diante destes impasses, o Seesp irá garantir que quem assumir irá ter que pagar esta ação. O Seesp informa que está acompanhando os fatos e irá atuar para que os todos os direitos dos trabalhadores sejam garantidos", ressaltou, em nota enviada à imprensa.