Política

Mulheres lideram um abaixo-assinado contra terceirização no Pronto-Socorro Bela Vista

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Uma dona de casa e uma aposentada estão de plantão, desde anteontem, no Pronto-Socorro Bela Vista colhendo assinaturas de pacientes que procuram atendimento no local e, na maioria das vezes, não encontram médicos. Izabel Moreno Teles, 63 anos, e Fátima Brasil, 52, afirmam não ter qualquer tipo de vínculo político, mas são contrárias à proposta da administração pública de terceirizar a contratação de médicos para o PS Bela Vista e exigem melhorias na saúde pública de Bauru.

As duas conseguiram, até a tarde de ontem, cerca de 350 assinaturas e amanhã estarão no Calçadão da Batista, tentando ampliar esse número para apresentar aos vereadores na sessão da Câmara Municipal de segunda-feira e entregar o documento nas mãos do prefeito Rodrigo Agostinho. "Somos usuárias do sistema e estamos lutando pela saúde pública de qualidade, um bem que deveria ser de todos nós. Por isso, precisamos da colaboração da população com assinaturas porque uma andorinha só não faz verão", afirma a dona de casa Fátima.

A aposentada Izabel acredita que Bauru não precisa e não deve terceirizar os serviços do PS Bela Vista. "Garantir a saúde é dever do poder público. O prefeito se elegeu garantindo priorizar e melhorar essa área. No entanto, só piorou até agora. Além de tudo, a terceirização, que eu chamo de privatização, é sinal de incompetência e ingerência da administração Rodrigo Agostinho. Quem tem dinheiro para terceirizar, tem dinheiro para investir", diz revoltada.

De acordo com Fátima, desde a semana retrasada médicos não atuam no PS Bela Vista de forma regular. Ela conta que levou sua filha com febre alta em busca de atendimento no local, mas os profissionais só chegaram quando a dona de casa ameaçou chamar a polícia e veículos de comunicação para denunciar o descaso. "A gente está aqui ontem e hoje durante todo o dia e vê o sofrimento das pessoas, que chegam debilitadas e não são tratadas com a dignidade que merecem", aponta.

As mulheres explicam que os pacientes são orientados a procurar o Pronto-Socorro Central, o que contribui ainda mais para que o local esteja sempre lotado. "As autoridades têm que entender que esse é o nosso plano de saúde e a parte mais importante é que nós pagamos por ele através dos impostos, que não são poucos", afirma.

No momento em que a reportagem estava no PS Bela Vista, a balconista Ana Paula Inácio Alves, 21 anos, chegou ao local sentindo dores e mal- estar, com suspeita de dengue, mas não conseguiu ser atendida por conta da falta de médicos. "Eu não sei mais o que fazer. Os funcionários dizem que eu preciso procurar o Central, mas aquele lugar é um verdadeiro caos. Fora que as ambulâncias daqui só levam para lá os pacientes que estão em estado grave. Caso contrário, o deslocamento fica por nossa conta", diz ela.

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