Polícia

Polícia Civil prende em flagrante distribuidor de ecstasy em Bauru

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Cinco dias após a grande apreensão de ecstasy pela Polícia Militar em Bauru, quando mais de 200 comprimidos da droga foram flagrados com dois homens, a Polícia Civil prendeu em flagrante por tráfico de drogas o suspeito de ser responsável pela distribuição do ecstasy na cidade. A.G.V.R. (somente as iniciais do nome foram divulgadas), 28 anos, estaria envolvido, inclusive, com a venda de grande quantidade de comprimidos sintéticos apreendida no último domingo, que seria comercializada em uma festa rave.

Por meio de amplo trabalho de investigações iniciado há um mês, a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru chegou à identidade do suspeito, que foi detido no início da manhã de ontem por mandado de busca e apreensão em sua residência, no Jardim Contorno.

No local foram encontrados 16 comprimidos de ecstasy, grandes quantidades de comprimidos anabolizantes e estimulantes sexuais, além de R$ 1 mil em dinheiro e cartazes de raves.

De acordo com o delegado titular da Dise, Silberto Sevilha Martins, o setor de inteligência da polícia foi fundamental para essa operação, que contou com ações de infiltração em academias de ginástica da cidade, onde A.G.V.R. era conhecido por "Gu Bacana" e por frequentar festas rave.

"Desde o final de fevereiro nós tínhamos informações sobre uma garota que atuava como a "mula" do esquema e levava a droga para essas festas. Tivemos conhecimento também sobre o rapaz, de apelido Bacana, que seria o distribuidor do ecstasy na cidade. Após trabalho pesado de investigação, conseguimos identificá-lo", explica.


Distribuição


A apreensão dos 200 comprimidos no último domingo também colaborou para as investigações, pois os envolvidos também citaram o nome de "Bacana" como o responsável pela distribuição inicial dos comprimidos.

O homem alega que toda a quantidade de droga e comprimidos apreendidos em sua residência seriam para consumo próprio e que teria comprado - e não vendido - a droga dos dois presos em flagrante no fim de semana anterior.

A.G.V.R. foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. O computador e o telefone celular dele também foram apreendidos para a continuidade das investigações, que segundo o delegado Silberto, querem chegar ao topo da pirâmide do tráfico de drogas sintéticas.

"O combate ao tráfico é um problema complexo. Outro pode substituir o papel do indivíduo que prendemos hoje (ontem) a qualquer momento, mas a vida dos jovens que se envolvem com o ecstasy, que é a porta de entrada para outras drogas, é insubstituível", aponta.

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Grande apreensão


Na manhã do último domingo, Bauru fez uma de suas maiores apreensões de ecstasy. Policiais militares encontraram 200 comprimidos do composto sintético com dois jovens moradores da cidade, presos por tráfico de entorpecentes. Além da droga, no valor estimado de R$ 6 mil, foram apreendidos ainda R$ 732,00 em dinheiro, duas seringas lacradas e dois celulares.

Sandro Vinícius Garcia, de 28 anos, e Fernando Osni Santa Rosa, de 27, foram abordados por policiais militares da Base Oeste, que receberam denúncia anônima de que os jovens levariam entorpecentes para uma festa rave que acontecia na cidade durante o final de semana.

No mês de dezembro do ano passado, outras 100 pílulas da droga foram apreendidas pela Polícia Militar. O ecstasy foi flagrado com Marcel Kyioshi Koti, 34 anos, que assumiu a posse do material para venda.

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Usuários buscam ?realidade paralela?


Jovens de classe média alta, entre 14 e 29 anos, com fortes tendências de culto ao corpo: essas são as características mais comuns dos usuários de ecstasy, segundo o delegado da Dise Silberto Sevilha Martins. As festas de rave (caracterizadas por sua longa duração e pela música eletrônica) são, por sua vez, o ambiente propício para o consumo da droga, que muitas vezes é associado à ingestão de estimulantes sexuais.

"Esses jovens buscam, através da artificialidade química, um ambiente agradável, uma realidade paralela, com sensações boas, contatos físicos e relações sexuais. No entanto, é fundamental destacar que nem todos que organizam ou frequentam esses eventos têm relação com o tráfico ou o consumo de drogas", alerta o delegado.

Silberto explica que, como não é uma droga utilizada em situações cotidianas, o ecstasy pode ser a porta de entrada para o vício em outras drogas, como o crack e a cocaína. Além disso, cada comprimido da substância sintética custa cerca de R$ 30,00.


Efeitos e riscos


Conhecida como "droga do amor", o ecstasy pode provocar sensação de intimidade e de proximidade com outras pessoas, aumento da percepção de sensualidade, aumento da capacidade comunicativa, euforia, despreocupação, autoconfiança, expansão da perspectiva mental, incremento da consciência das emoções, diminuição da agressividade ou perda da noção de espaço. Também provoca secura da boca, o que pode levar a pessoa a beber muito líquido a ponto de correr risco de morte.

De acordo com o delegado Silberto Sevilha Martins, da mesma forma que na composição dos comprimidos existem substâncias estimulantes, há também as relaxantes. A longo prazo, o ecstasy pode provocar cansaço, esgotamento, sonolência, depressão, ansiedade, ataques de pânico, indisposição, letargia, psicose, dificuldade de concentração, irritação ou insônia.

Estas consequências podem ainda ser acompanhadas de arritmias, morte súbita por colapso cardiovascular, acidente vascular cerebral, hipertermia, hepatotoxicidade ou insuficiência renal aguda. O consumo de ecstasy e a atividade física intensa podem provocar desidratação e o aumento da temperatura corporal (pode chegar a 42º C), o que, por sua vez, pode levar à hemorragia interna.

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Investigação na Internet


A principal forma de divulgação da venda de drogas, como o ecstasy, em festas rave é a Internet, principalmente através das redes sociais. Segundo o delegado titular da Dise de Bauru, Silberto Sevilha Martins, por se tratar de um meio fechado, aumentam as dificuldades das investigações da Polícia Civil. "Temos certeza que a apreensão do computador de A.G.V.R. vai colaborar extremamente para o aprofundamento das investigações", afirma.

Silberto explica que a Dise tem aumentado a repressão contra o tráfico de drogas sintéticas e alerta os pais para que fiquem atentos em relação ao comportamento dos filhos.

"Vamos intensificar as investigações na Internet, nas universidades, academias e casas noturnas. São ambientes que propiciam o contato de jovens com as drogas. A grande maioria experimenta o ecstasy por curiosidade. Quando há alguém que ofereça a droga, nasce o problema", destaca.

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