A Escola Estadual (EE) Antônio Sanches Lopes, localizada na pequena Balbinos (73 quilômetros de Bauru), município com pouco menos de quatro mil habitantes, ficou em primeiro lugar no Estado no ranking do Idesp 2010 entre as escolas até o 9º ano do ensino fundamental. Com nota 6,94, a unidade se destacou entre outras 3.695 escolas e garantiu uma colocação dentro do patamar considerado ideal pela Secretaria da Educação.
Na opinião da diretora da escola, Maria Salete Marangon Balancieri, essa primeira classificação deve-se a um conjunto de fatores. "A escola é pequena, as classes estão com poucos alunos, há um trabalho constante da equipe escolar, com reuniões pedagógicas", conta. "Nós também temos parcerias com a comunidade, abertura, no final de semana, da escola da família".
Segundo ela, cada classe tem, em média, de 15 a 20 alunos, o que garante uma atenção mais individualizada. "É como uma aula particular para os alunos", compara. "E os professores vêm desenvolvendo um trabalho excelente". Além disso, o fato da cidade ser pequena, com poucos habitantes, também contribui para uma maior proximidade entre professores e pais.
Avaí (39 quilômetros de Bauru) também foi destaque na avaliação. A Escola Estadual Dr. Anis Dabus ficou em quarto lugar no ranking do Idesp de 2010 entre as escolas até o 9º ano do ensino fundamental (nota 6) e em 7º lugar entre as unidades de ensino médio (nota 4,81).
Segundo o diretor da escola, Carlos Alberto Valero de Figueiredo, o resultado deve-se a uma gestão participativa, que busca integrar direção, coordenação, professores e comunidade. "A gestão coletiva é muito falada e comentada mas, aqui nessa escola, eu tenho procurado implantar uma gestão realmente participativa, onde haja integração entre todos os setores, descentralizando as decisões apenas do diretor", explica.
Figueiredo ressalta que todas as decisões têm de ser tomadas focando sempre o bem-estar do aluno. "Nós temos conversado bastante com professores no sentido de democratizar o ensino, buscando maneiras que possam ser proveitosas com vistas, principalmente, ao final do processo, que aliás é o final e o início, o aluno. O aluno tem de ser beneficiado. Ele está em primeiro lugar dentro da escola", declara.
A diretora da EE Carlos Corrêa Vianna de Reginópolis (70 quilômetros de Bauru), Carolina Araújo de Souza Veríssimo, cita que o estabelecimento de ensino em 2009 já tinha ficado entre os 65 melhores em boas práticas de ensino. A Coordenadoria de Ensino do Estado veio a Reginópolis conhecer o sistema, declara Carolina.
A junção professor, aluno e familiares é o que tem ajudado a deixar a escola entre as melhores na qualidade de ensino. O número de alunos nas classes não passa de 35. "As aulas de recuperação têm poucos alunos, é como se fossem aulas particulares. Ajuda a melhorar a aprendizagem", frisa a diretora com 20 anos de magistério.
O fator de proximidade entre as pessoas também favorece boa qualidade de ensino. "A maioria dos professores é daqui. Temos um de fora, residente em Bauru, que vem com frequência. Nós não paramos, desenvolvemos vários projetos pedagógicos, aula de música, aula de basquete", conta. A Escola da Família, abriu o estabelecimento nos finais de semana, foi mantida, apesar de o governo ter reduzido o programa na gestão José Serra no ano passado.
"Não temos pichação e nem depredação. Isso mostra o trabalho de orientação que fazemos junto aos alunos", conta.
A Escola Seth de Almeida no distrito de Guaricanga, pertencente ao município de Presidente Alves, é outro exemplo de boa qualidade de ensino. A diretora Selma Aparecida Buarque de Souza explica que o estabelecimento atende alunos da zona rural e do distrito, localizado a 22 km da sede.
A atividade pedagógica desenvolvida com a comunidade tem favorecido a boa qualidade de ensino. "A escola fica isolada, mas temos ajuda da prefeitura que recentemente conseguiu junto ao governo federal cinco computadores. Agora precisamos ampliar a nossa sala de leitura", conta a diretora.
Há trabalho voluntários de universitários que já foram alunos na escola. Recentemente, a principal empresa que emprega mão de obra, destilaria Guaricanga pediu recuperação judicial. Houve dispensas e demora no pagamento de salários aos trabalhadores. Foi um impacto social forte para seus moradores. Contudo, a pequena escola do local é orgulho ao se destacar com nota 5, superior a centenas de municípios do Estado.