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Morador aciona promotoria contra CPFL

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Um morador do bairro Vila Nova Paulista, em Bauru, entrou com representação na Promotoria de Justiça e Defesa dos Direitos do Consumidor contra a CPFL Paulista. O motivo alegado é a dificuldade de encontrar estabelecimentos para quitar as contas mensais de energia elétrica após a instalação do programa CPFL Total.

Antes da implantação do programa, as contas da empresa podiam ser pagas em bancos ou em qualquer casa lotérica, já que a Caixa Econômica Federal possuía convênio com a distribuidora de energia elétrica. Como o convênio não foi renovado no ano passado, somente estabelecimentos credenciados à CPFL - como algumas padarias, farmácias e mercados - e os bancos Santander, Itaú e Banco do Brasil passaram a receber os pagamentos.

Segundo José Roberto de Souza, autor da representação, a mudança causou grande transtorno que se repete a cada mês. "Eu moro aqui na Vila Paulista. Na conta, tem a indicação dos três lugares mais próximos para que eu faça o pagamento. O mais perto é na Wenceslau Braz, na Vila Souto. Para se chegar lá, é preciso pegar duas conduções".

Os outros dois lugares indicados na conta são uma padaria no Parque Jaraguá e um supermercado no Núcleo Habitacional Presidente Geisel. "Todos os moradores daqui enfrentam o mesmo problema. Antes, era muito fácil. Tem um mercado que recebia a seis quadras daqui. Agora, virou esse transtorno", conta.

De acordo com José de Souza, a representação não visa nem mesmo a ampliação dos pontos do CPFL Total, mas sim o retorno do recebimento do pagamento em lotéricas. "Nesses estabelecimentos, como bazares e farmácias, não tem segurança para essa movimentação de dinheiro que passou a ser feita. Sei de casos em que os proprietários estão até mesmo deixando de oferecer o serviço com medo de assaltos. É um problema tanto para alguns comerciantes quanto para a população".

A reportagem teve acesso à representação e constatou que, entre todas essas reclamações, havia em anexo uma cópia da conta de energia e matérias e cartas de leitores veiculadas pela imprensa - inclusive o JC - com reclamações sobre o novo sistema de pagamento.

"Antes de fazer a representação, eu tentei contato com a CPFL várias vezes para questionar e fazer minha reclamação. Não fui atendido e resolvi partir para a Justiça", completa José Roberto de Souza.


Direitos


O promotor de Justiça e Defesa dos Direitos do Consumidor, Libório Nascimento, afirmou ter recebido anteontem a representação. Segundo ele, a CPFL já foi acionada para prestar esclarecimentos e, apesar do documento ter sido apresentado em relação ao bairro Vila Nova Paulista, o fato será apurado na cidade toda.

"Já requisitei à CPFL todas as informações necessárias para averiguar a representação. E pedi dados sobre Bauru inteiro. Espero uma resposta dentro de 10 dias para analisar realmente o que está acontecendo e decidir o que fazer", aponta.

Após analisar as informações emitidas pela CPFL, o promotor pode instaurar uma ação civil pública ou, caso entenda que os esclarecimentos foram satisfatórios, arquivar o processo.

Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da CPFL declarou que somente vai se declarar sobre o assunto após a decisão do promotor.

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Rede de postos credenciados caiu pela metade desde o início do programa


Rede de postos credenciados caiu pela metade desde o início do programa. Quando foi implantado em Bauru no meio do ano passado, o programa CPFL Total contava com 62 postos credenciados na cidade para a população quitar as contas de energia. Com a promessa de facilitar a vida dos consumidores, o fato vem tomando rumos diferentes.

Segundo a assessoria de comunicação da CPFL, o número de 62 pontos está reduzido pela metade. Atualmente, são apenas 32 estabelecimentos credenciados.

Essa redução resulta em grandes filas nos locais indicados para pagamento e insatisfação de muitos clientes de pessoas que, assim como o autor da representação, não têm encontrado locais acessíveis do CPFL Total.

Em fevereiro, moradores do Jardim Araruna, Vila Santa Luzia, Jardim Flórida e Jardim Chapadão fizeram um abaixo-assinado com 225 assinaturas solicitando postos de atendimento mais próximos aos respectivos bairros.

Além dessas reclamações frequentes, o principal motivo do fechamento de alguns postos seria o medo de assaltos. No primeiro homicídio registrado este ano, Pedro Amaral Júnior foi assassinado em uma oficina mecânica no bairro Vila Bela. Segundo especulações dos moradores da localidade, o crime - até hoje não solucionado - foi resultado de uma tentativa de assalto exatamente por conta do fluxo após o credenciamento do estabelecimento no CPFL Total.

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