Internacional

Gaddafi estaria negociando cessar-fogo com coalizão

Folhapress
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Trípoli - O ditador líbio Muammar Gaddafi negocia com as potências ocidentais, por meio de emissários, a possibilidade de acordo para o anúncio de um cessar-fogo, disse ontem um ex-premiê da Líbia. Em entrevista à TV Channel 4 News, do Reino Unido, Abdul Ati al Obeidi disse que Trípoli possui canais de diálogo com EUA, França e Reino Unido, líderes da coalizão que realiza ações militares na Líbia há duas semanas, para obter uma "solução mútua??.

"Nós estamos tentando dizer para que parem a matança de pessoas", disse Obeidi.

A revelação de que há, de fato, uma tentativa por parte de Gaddafi de negociar o fim da crise confirma relatos dos últimos dias de que o ditador estaria buscando saída para a crise que paralisa o país.

E reforça o entendimento de que a disputa de governistas e rebeldes, com apoio externo, chegou ao impasse.

Ontem, o jornal britânico "Guardian" afirmou que um auxiliar de um dos filhos de Gaddafi, Saif al Islam, tivera conversas com autoridades do governo britânico.

Recentemente, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também dissera que o ditador tentava contato para negociar a saída. Ontem, o porta-voz do premiê David Cameron (Reino Unido) admitiu contato com mais de uma autoridade líbia, mas não deu detalhes e afirmou não haver nenhuma oferta de acordo a Gaddafi.

"Estamos dizendo a todos eles a clara mensagem de que Gaddafi tem de sair??, disse o porta-voz Steve Field.

Embora a resolução da ONU não preveja a saída do ditador como objetivo, as potências já disseram esperar uma mudança de regime ao final da operação e não descartam armar os rebeldes.

Os oposicionistas condicionaram um eventual cessar-fogo com a retirada das forças de Gaddafi de todas as cidades e a permissão para a realização de protestos.


Mortes civis


Também ontem, surgiram novos relatos de mortes civis causadas por ações aliadas. Um médico líbio disse à TV britânica BBC que sete civis, inclusive crianças, morreram em ataques na última quarta-feira na localidade de Brega.Anteontem, o mais alto representante do Vaticano na Líbia denunciou a morte de pelo menos 40 pessoas em Trípoli. A Otan, que assumiu o comando militar das operações, prometeu investigar.

No front de batalha, rebeldes tentavam avançar ontem em direção a Brega após perderem, em poucos dias, quase todo o território conquistado depois do começo dos ataques.

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