Cabul - Ao menos 12 pessoas (sendo oito delas funcionários da ONU) morreram em um ataque a um prédio das Nações Unidas em Mazar-i-Sharif, no norte do Afeganistão.
O ataque aconteceu durante protesto contra a queima do Corão, livro sagrado do islã, pelo pastor de uma pequena igreja da Flórida (EUA), no início da semana passada.
É a ação mais letal contra empregados da entidade desde o atentado de 2003, em Bagdá, que matou 22 pessoas, entre elas o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.
A conta, no entanto, pode chegar a 20 mortos. Entre as vítimas, estariam funcionários da ONU da Noruega, da Suécia e da Romênia, quatro guardas nepaleses e cinco afegãos.
Duas pessoas teriam sido decapitadas, segundo um porta-voz da polícia afegã, mas essa informação foi negada pelo comando da polícia da região.
Ataque
O ataque aconteceu depois das orações de ontem. Milhares de manifestantes, instigados por três mulás, saíram da Mesquita Azul (um dos lugares mais sagrados do Afeganistão) e rumaram para o prédio da ONU - sem encontrar americanos, o ódio da multidão foi dirigido às Nações Unidas, outro símbolo ocidental.
Eles queriam a prisão de Jones. Com gritos de "Morte à América" e cartazes de "Morte a Obama" e "Abaixo a América"?, os manifestantes atiraram pedras no prédio.
Segundo relatos, eles invadiram o portão depois que as forças de segurança abriram fogo, agrediram os guardas e queimaram carros.
Armas teriam sido tomadas da guarda de segurança da ONU e usadas para matar as vítimas.
A cidade de Mazar-i-Sharif é considerada uma das mais pacíficas nos padrões do Afeganistão - a milícia Taleban está concentrada especialmente nas Províncias mais ao sul - e seria uma das primeiras áreas em que as tropas da Otan seriam substituídas pelas forças afegãs.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chamou os ataques de "revoltantes e covardes??. O presidente dos EUA, Barack Obama, divulgou nota condenando a ação.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse estar chocada. "Não existe justificativa para essa atrocidade."
Pastor americano já teria tentado queimar o Corão no ano passado
Nova York - O pastor americano é Terry Jones, líder de uma obscura igreja do estado da Flórida, nos EUA, segundo seu website, com 60 membros. No dia 20 de março, ele queimou uma edição do Corão porque considerou a obra "culpada".
É o mesmo pastor que tinha recebido atenção internacional no ano passado, após ameaçar queimar o livro em 11 de setembro, aniversário do ataque às Torres Gêmeas. Pressionado, ele tinha recuado e prometido nunca cometer esse ato, mas voltou atrás na sua decisão.