Uma ?bolha? de som que, mesmo sem paredes em volta ou qualquer outro tipo de isolamento físico, não permite que a acústica vaze para além do ponto delimitado dentro do estabelecimento comercial; uma cadeira equipada com notebook e mesmo princípio sonoro ou uma prateleira que exibe holografia perfeita de um produto, em vitrine virtual, talvez a quilômetros de distância.
Itens até há pouco tempo imagináveis apenas nos filmes de ficção científica ou então nos desenhos animados da futurista família Jetson, as luzes, temperatura e efeitos sonoros especiais para cada tipo de ambiente ou produto num supermercado do século XXI já são realidade.
O futuro "mais do que presente" do ramo varejista se apresenta no Velho Mundo. Trocadilhos à parte, a edição 2011 da tradicional Euroshop, considerada a "meca" para quem busca o que está em maior evidência, além do que virá, em dispositivos para estabelecimentos comerciais, foi visitada pelos arquitetos bauruenses Cláudio Antônio Berriel Ricci e Luís Cosei Higa.
Realizado na cidade alemã de Düsseldorf, que há duas décadas abriga o evento em um suntuoso recinto de exposições de fazer o paulistano Anhembi ficar pequeno, atestam os visitantes -, o evento, descrevem os arquitetos de Bauru, é uma mescla do que há de ponta em termos de tecnologia e funcionalidade, além de equipamentos e soluções "conceito", ou seja, tendências que podem revolucionar ainda mais o setor.
Tamanha a importância da feira, frisam Cláudio e Luís, que possuem carteira com importantes clientes do ramo varejista, como a rede de supermercados "Jaú Serv" ou o conglomerado de postos de serviços Graal, ela torna-se praticamente obrigatória para quem quer atingir ou manter a excelência no setor comercial. Quem também conferiu as novidades da feira alemã, observam os arquitetos, foi o empresário Jad Zogheib, diretor-presidente da Rede Confiança de Supermercados.
Especificamente nesse ramo, o evento internacional, que entre 26 de fevereiro e 2 de março reuniu milhares de visitantes do mundo inteiro, foi mais do que um prato cheio. Um verdadeiro festival de luzes, sons, temperaturas e até cheiros produzidos artificialmente encantaram tanto visitantes movidos simplesmente pela curiosidade quanto profissionais - caso de Luís Higa e Cláudio Ricci - em busca de atualização.
Já estabelecidas e com grande possibilidade de tornarem-se padrão, as luminárias com tecnologia LED, hoje comuns também no Brasil, deram tons e cores para novos dispositivos de exposição de produtos, seguindo a linha do apelo visual como principal ferramenta mercadológica. "A iluminação é tudo numa venda. Além da durabilidade e economia, uma lâmpada LED é perfeita para baixas temperaturas (não esquenta), por exemplo, em vitrines de congelados, ou então adegas", exemplifica Cláudio Ricci.
Esse tipo de iluminação, hoje já bastante usual no Brasil, seja em semáforos ou até como tecnologia empregada nos televisores modernos, acentua Luís Higa, otimiza a resolução de cores, com inúmeras possibilidades de exposição de produtos e consequentemente maior resultado para atrair clientela. "São recursos palpáveis, usuais. Basta o investimento", salienta o arquiteto Cláudio.
Auto-atendimento
Mais que as dimensões gigantes do simpósio alemão, que contou com 17 pavilhões -, era necessário tomar micro-onibus para transitar entre os setores da feira, comentam os arquitetos que estiveram na Europa - um dos artigos que mais impressionaram os visitantes foram os aparelhos de "self checkout", nada mais do que caixas automáticos para supermercado.
Para Ricci, a novidade não demoraria muito para chegar aos supermercados brasileiros e já é utilizada em alguns estabelecimentos europeus. "Vimos o equipamento em uso, na Espanha", detalha. "O equipamento escaneia o produto na esteira e possibilita o pagamento seja em cartão, dinheiro e até moedas", detalha. "Vários estandes trabalharam com essa tecnologia", acentua.
Além dos checkouts sem necessidade de um operador, alguns carrinhos chegaram a apresentar o próprio scanner de produtos, comenta Cláudio. Ou seja, os próprios "caixas inteligentes" expostos na feira que reúne o que há de mais novo para o comércio, já teriam um concorrente na mesma ocasião. "Os carrinhos leem o preço do produto que é calculado ali mesmo. Na saída, o cliente passa por um terminal onde a compra é paga pela leitura do valor apresentado pelo carrinho", impressiona-se.
Na opinião dos arquitetos, a automação também nos caixas de supermercado é algo que não deve demorar muito a ocorrer também no Brasil e, obviamente, em cidades de grande ou médio porte, entre elas Bauru. "É um processo que se assemelha muito aos auto-serviços bancários. No início, as pessoas estranharam. Hoje, é comum um aposentado sacar dinheiro apenas nas máquinas", compara.