Internacional

Ataques contra a queima do Corão se intensificam e matam ao menos 9


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Cabul - Os protestos contra a queima do Corão por um pastor americano no dia 20 de março se espalharam pelo Afeganistão. Chegaram ontem a Candahar, coração da insurgência Taleban no país, deixando nove mortos. Antentem, sete funcionários da ONU em Mazar-i-Sharif (norte) tinham sido mortos em um ataque ao prédio da entidade na cidade.

Em Candahar centenas de manifestantes, com bandeiras do Taleban e cartazes pedindo "morte à América", colocaram fogo em carros e destruíram lojas.

Como costuma ocorrer, quase todos eram homens jovens. Além dos mortos, 81 ficaram feridos. Não está clara a identidade das vítimas. Salas de aula de uma escola para meninas e um ônibus escolar foram destruídos - o Taleban é contra a educação feminina.

O movimento fundamentalista negou ter orquestrado o protesto, dizendo que ele era apenas a "manifestação do povo islâmico".

Na Capital, Cabul, a Otan reprimiu um ataque a uma das suas bases. Dois homens-bomba vestindo burcas (traje feminino) foram mortos antes que se explodissem. Três soldados ficaram levemente feridos. Além disso, outras regiões, como Herat e Tahar, também tiveram protestos, porém sem mortes.

Os protestos, que são a maior onda de violência em meses no país, foram convocados pelos sermões da última sexta-feira, dia de orações entre os islâmicos.

Na sexta-feira anterior, porém, ninguém tinha dado atenção à queima do Corão pelo pastor Terry Jones, da Flórida, ainda que ele já tivesse incinerado a obra.

Surpreendentemente, quem atraiu a atenção para a queima que tinha passado despercebida foi o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. Ele fez um discurso na quinta dizendo que Jones deveria ser preso.

O medo dos especialistas é que os protestos, num efeito bola de neve, levem o país (e, no pior dos cenários, o resto do mundo islâmico) a um cenário ainda mais instável.


Pretexto


O pastor Terry Jones disse ontem a uma rede de TV da Flórida que não se sente responsável pelos ataques. "Extremistas do islã estão usando isso [a queima do Corão] como uma desculpa", disse.

Com a ideia fixa de que o islã e o demônio estão mancomunados, Jones, que tem apenas 60 seguidores, conseguiu atrair a atenção de toda a mídia americana e até da Casa Branca em 2010. Ele ameaçava, então, queimar uma cópia do livro no dia 11 de setembro, para relembrar os atentados às Torres Gêmeas.

Só desistiu quando o governo americano pediu que reconsiderasse, pois a atitude colocaria em risco a vida de tropas americanas.

Pela leis americanas, colocar fogo em um livro não é considerado crime. O pastor está amparado pela defesa da liberdade de expressão.

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