Mulher

A moda é trocar roupas


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Febre nos Estados Unidos, o encontro feminino conhecido como "clothing swap" - troca de roupas, na tradução literal - se firma também no Brasil. Ainda bem. É uma maneira de se livrar de peças boas, mas encalhadas no guarda-roupa e, ainda por cima, atualizá-lo sem gastar muito. Em São Paulo, há dois eventos fixos: o Desapegue e o Troca-Troca GG. A versão norte-americana mais badalada do momento é a The Swapaholics, cujo significado seria algo como "Viciadas em Trocas". Há, ainda, outros programas informais realizados entre amigas.

O Desapegue bateu a marca de 11 edições no início deste mês. O idealizador, o publicitário Rogério Gomes, se inspirou nos clothing swaps americanos para lançar seu evento mensal que segue esquema similar: as participantes chegam ao local combinado com suas peças usadas, mas em bom estado, para serem trocadas. A quantidade máxima é de 20 itens, que passam por uma triagem para assegurar boas oportunidades para quem se dispõe a pagar R$ 25 de entrada. Ficam de fora, portanto, roupas manchadas, com bolinhas e desgastadas.

O que é descartado vai para doação ou é devolvido à dona.

Para cada escambo há uma regra. As "negociantes" do Desapegue recebem botões cor-de-rosa como "moeda". Uma camiseta básica, por exemplo, vale um botão; uma calça jeans, três botões; e assim por diante. Com eles em mãos, adquirem qualquer peça que quiserem. A novidade do evento é a participação da consultora de moda Noelle Ruas. Ela fica zanzando entre as mais de 30 participantes pronta para orientá-las nas escolhas em meio a centenas de roupas e acessórios para troca. "É muito divertido acima de tudo", conta. "No provador comunitário rola uma integração, e eu fico no meio delas ensinando a usar determinada peça ou criando looks completos."

Uma das frequentadoras assíduas é a designer de bijuterias Ester Peixoto, de 50 anos. Como o público tem idades e estilos variados, ela sempre consegue garimpar peças para seu look descolado. Para Ester, a grande vantagem do Desapegue é a economia. "Mulher sempre tem impulso de comprar, mas, com o escambo, estou deixando de gastar muito", admite.

Outro evento é o Troca-Troca GG, que inovou ao focar nas mulheres com manequins acima do 46. A quarta edição, realizada recentemente, prometia atrações, sorteios e uma trupe plus size ávida por bons negócios. O encontro acontece, como de praxe, no salão de festas da tia de uma das três idealizadoras, Rebecca Steinhoff, de 31 anos. A dona de casa e mãe de duas meninas conheceu a advogada Graziela Matte, também de 31, e a administradora de empresas Luciane Russo, de 35, na sessão de fotos para um book sensual e tornaram-se amigas.

De bem com suas formas rechonchudas, as três lançaram o blog Garotas Formosas, que alcançou rapidamente popularidade, com 28 mil acessos mensais. Elas aproveitaram a onda de escambo de roupas usadas para fazer a sua versão. Com os R$ 20 cobrados de entrada, o trio banca o evento sem tirar dinheiro do próprio bolso com as até 50 pagantes.

Tanto o blog quanto o escambo GG, no entanto, trouxeram dividendos. "Um fabricante de jeans nos convidou para lançar uma coleção de calças de tamanhos grandes que leva o nome do nosso blog", explica Rebecca.

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Vantagens


A economia é o ponto forte do negócio. Outro benefício é a prática de sustentabilidade. Ainda mais num ramo que estimula o consumismo: a moda. Preocupada com a questão, Vivi Torrico, de 38 anos, também organizou um troca-troca que evoluiu para bazar fixo num salão de beleza na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, o Bardot.

Frequentadora desde sua inauguração, em 2004, ela se tornou amiga da dona, Camila Bianchi, de 30, que cedeu o espaço para a primeira versão do troca-troca.

"Reunimos as funcionárias do salão, chamamos amigas e algumas clientes que costumávamos cruzar sempre por aqui e de quem gostávamos do estilo para trocar roupas e acessórios", lembra Vivi. "Foi divertido e proveitoso." Deu tão certo que o encontro foi realizado mais três vezes até decidirem experimentar outra tática: na entrada do salão, uma arara expõe roupas usadas de quem se dispuser a vendê-las a preços (quase) de banana. Como Vivi explica, a ideia é passar para a frente aquelas peças que se tem pena de doar e que ficam abarrotando o guarda-roupa. Ao mesmo tempo, dá para ganhar um dinheirinho. "Apesar de darmos o nome de brechó, não queremos que os valores sejam altos como os praticados nas casas tradicionais", avisa Vivi.

A venda de peças não é um pecado mortal nos escambos informais, feitos entre amigas.

A relações públicas Erika Balbino, de 39 anos, aposta nesse recurso durante as negociações dos disputados troca-trocas que realiza desde 2008. Atualmente, cada uma das três edições anuais chega a reunir 20 mulheres no sobradinho em que ela mora, no bairro Bosque da Saúde, zona sul da capital paulista. "É uma forma de adquirir algo por preços bem camaradas", conta.

Doar roupas e acessórios para instituições de caridade também faz parte do programa. Afinal, não é um evento só para se dar bem, mas sim para criar o hábito do desapego e, mais ainda, conhecer gente nova, integrar-se. Erika não apenas aumentou sua rede de amizades como encontrou uma maneira de reunir todas as amigas de uma vez para matar a saudade e colocar o papo em dia. "Depois que tudo acaba, continuamos a conversa na cozinha ou na sala, bebendo e comendo ", revela. "É uma curtição."

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Faça seu evento


Siga as dicas da consultora de moda Noelle Ruas para organizar e aproveitar um escambo entre amigas


 Não importa o estilo que você tem, aproveite esse momento para adquirir peças diferenciadas sem gastar um tostão e sair do seu look básico


 A disposição das roupas é importante. Por isso, nada de deixar as peças amontoadas umas sobre as outras. Tente distribuí-las em uma arara, penduradas em cabides, para dar mais visibilidade e conseguir trocar mais rapidamente


 Desapegue-se sem dó. Selecione roupas que estão paradas no guarda-roupa sem uso algum, esperando uma "oportunidade" ou para quando emagrecer


 Reserve para doação roupas bem velhas, com bolinhas, manchas. Não adianta empurrá-las nesses eventos porque a chance de voltar com tudo novamente para casa é grande


 Às vezes vale a pena ficar com aquela peça maravilhosa, mas que não caiu como uma luva. É só pedir a uma costureira para fazer pequenos ajustes depois

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