Brasília - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, quebrou ontem o silêncio do primeiro escalão do governo Dilma e disse que a Vale "precisa contribuir mais fortemente para o desenvolvimento interno do país??.
A afirmação de Lobão ocorre no momento de troca de cadeiras da presidência da mineradora, um desejo que o Planalto carrega desde o governo Lula.
"Desejamos que seja assim com a Vale, que esteja sempre numa linha de colaboração com o governo, para o interesse nacional. A produção de aço aqui é necessária ao povo brasileiro, à sociedade??, disse Lobão.
Privatizada em 1997, a Vale tem, entre seus controladores, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.
A empresa sofre cobranças do governo para investir em siderurgia e desconcentrar a sua produção do minério de ferro bruto, com pouco valor agregado. No auge da crise de 1998, Lula também reclamou de demissões feitas pela empresa.
Questionado se, com a saída de Roger Agnelli do comando, ficará mais fácil mudar o perfil da segunda maior empresa brasileira, Lobão evitou criticar o executivo. "Acredito que o próprio Agnelli se esforçava nesse sentido, mas ele estava lá há dez anos", disse. "A saída dele não deve ser considerada um episódio anormal, o mandato dele iria até próximo mês. Ele é um profissional da maior categoria, cumpriu bem o papel."
Bovespa sobe
Apesar de tudo as ações da Vale tiveram uma forte alta ontem, que responderam por quase um quarto dos negócios e deu impulso para a recuperação da Bovespa.