São Paulo - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse ontem que, se os preços do petróleo no mercado internacional permanecerem no atual patamar, a estatal terá de reajustar os valores praticados no mercado interno.
"Caso se configure uma estabilização do petróleo no mercado internacional, nós vamos ter de alterar os preços do petróleo no Brasil e, consequentemente, os preços de derivados de derivados no Brasil", afirmou Gabrielli, após encontro com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, no Palácio dos Bandeirantes.
Na semana passada, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, havia dito que a estatal não faria qualquer alteração no preço da gasolina devido à volatilidade do preço do barril de petróleo no mercado internacional.
"Não há perspectiva de mudança no preço da gasolina porque ainda não temos essa situação [do Oriente Médio] definida", disse o diretor ao sair do Fórum Econômico Brasileiro, organizado pela Bloomberg, em São Paulo, no dia 29 de março.
Gabrielli ponderou ontem, no entanto, que ainda não está clara a direção da commodity no mercado externo.
"Não está muito claro se os preços serão estabelecidos neste patamar", disse.
Mesmo preço
Ao mesmo tempo, ressaltou o executivo, a gasolina tipo A (sem adição de álcool) vendida na refinaria da Petrobras está com o mesmo preço desde maio de 2009.
"Não houve alteração alguma. O valor está em torno de R$ 1 o litro", garantiu.
Já a gasolina que chega ao consumidor - com adição de até 25% de álcool - subiu, nos últimos meses, porque a comercialização envolve o distribuidor, o preço do álcool e impostos estaduais, disse Gabrielli.
Questionado sobre o tempo necessário para avaliar quanto tempo a Petrobras precisa para saber se irá reajustar o preço da gasolina ou não, Gabrielli disse que "tudo depende da volatilidade, nunca é possível responder a essa pergunta".
A Petrobras teve de recorrer ao mercado internacional para atender ao aumento do consumo de gasolina no Brasil, após a disparada dos preços do álcool. Segundo Gabrielli, um carregamento com gasolina chega ao país no próximo dia 15. Caso a demanda continue crescendo, a estatal deverá importar mais.
Mas o executivo ponderou que isso poderá não acontecer caso a oferta de etanol aumente até lá e o seu preço caia, o que pode provocar uma retração na demanda por gasolina.
Mantega contradiz
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou o aumento aumento nos preços da gasolina no Brasil. Mantega contradisse a Petrobras, que já sinaliza com possível alta no combustível. "Não há alta da gasolina no Brasil e não está prevista", afirmou o Mantega. O ministro também disse na noite de ontem que o governo espera que o álcool combustível tenha redução a partir de maio.