Economia & Negócios

Gasolina chega a R$ 2,99 e famílias devem gastar R$ 50,00 a mais ao mês

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

O que era temido se transformou em fato. O litro da gasolina em Bauru já esta sendo comercializado a R$ 2,99 em ao menos um posto de combustíveis da cidade, valor que já havia sido registrado na semana passada em bairros de capitais federais como São Paulo e Rio de Janeiro. Com a alta de 15% em pouco mais de um mês, a expectativa é de que uma família média bauruense passe a gastar cerca de R$ 50,00 a mais por mês com combustível apenas para realizar atividades rotineiras com um único veículo.

Em Bauru, a gasolina está sendo vendida a R$ 2,99 por um posto localizado no trecho urbano da rodovia Marechal Rondon, no quilômetro 345. Dentro da cidade, entretanto, os valores ainda permanecem abaixo desta marca. Procurado, o proprietário do estabelecimento não atendeu às ligações telefônicas feitas pela reportagem.

Segundo o empresário do ramo Edivaldo Tuschi, não há explicação para que o combustível tenha alcançado este patamar na cidade. Ele explica que o preço de custo do produto aos donos de postos, nesta semana, chegou a R$ 2,51. Considerando a margem de lucro de R$ 0,30 habitualmente adotada por eles, o valor cobrado do consumidor deveria permanecer a uma média de R$ 2,81.

"Geralmente, os postos localizados em rodovias costumam cobrar mais caro do que os demais estabelecimentos, mas essa variação não passa de R$ 0,05. Mais do que este valor, trata-se de uma decisão pura e simples do proprietário", aponta.

Na avaliação de Tuschi, o fato da categoria estar enfrentando dificuldades para comprar gasolina pode ser um dos motivos para uma alta tão acentuada, utilizada como estratégia para conter o consumo e não ficar com as bombas desabastecidas. O próprio empresário do ramo reconhece que tem recebido, semanalmente, metade do volume encomendado às distribuidoras.

"Não dá para saber qual a postura que cada posto vai adotar diante de uma situação como esta. Sem combustível, a tendência é que os preços subam", alerta. Conforme apurou o JC, a Petrobras não estaria fornecendo gasolina em quantidade suficiente para as distribuidoras devido à ausência de álcool anidro para ser adicionado ao combustível. Por lei, a gasolina deve contar com adição de 25% álcool em sua composição para que possa ser comercializada.

Menor prejuízo


A ausência de etanol - motivada por uma combinação de fatores que vai desde o período de entressafra, passando pelo o aumento da frota até a preferência dos usineiros à produção de açúcar - também provocou alta de 37% no litro do produto em Bauru, no último mês e meio. E, segundo informações extraoficiais, o preço de custo aos donos de postos já estaria se igualando ao da gasolina, se aproximando da marca de R$ 2,50. Para se ter uma ideia, no início do ano as distribuidoras vendiam o litro a R$ 1,00.

Diante deste cenário, os donos de carros flex se viram forçados a optar apenas pelo menor prejuízo. Seja com o uso de álcool ou gasolina, o aumento de gastos no orçamento é certo, ainda que com o último combustível o a vantagem ainda seja maior.

A pedido do JC, o economista Reinaldo Cafeo simulou o aumento de gastos que uma família média bauruense terá a partir de agora, com a gasolina a R$ 2,99. A comparação foi feita com o preço do litro do produto a R$ 2,59, praticado pelos postos há 45 dias.

Nesta situação hipotética, o veículo de um casal com dois filhos circularia cerca de 42 quilômetros por dia dentro da cidade. Os trajetos percorridos pelo marido seriam o de ir e voltar do trabalho duas vezes ao dia, levar e buscar a esposa no trabalho e as crianças na escola. Os pequenos também seriam levados de carro a atividades extras no período da tarde, três vezes por semana.

Fazendo uso de gasolina, o aumento da despesa com combustível seria de 15% em um mês e meio. Se no final de fevereiro o gasto desta família tinha sido de R$ 304,50, agora o custo subiria para R$ 351,60. Já com o carro abastecido a álcool, que subiu de R$ 1,89 para R$ 2,59 no mesmo posto consultado pela reportagem, a majoração seria de 37%. A variação representa um crescimento de despesas de R$ 317,50 para R$ 435,00.

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Dicas


Mesmo que ambos os combustíveis representem um aumento de gastos considerável em tão pouco tempo, o economista Reinaldo Cafeo orienta os consumidores a continuarem optando pela gasolina. Para concluir qual é a melhor escolha, é preciso dividir o preço do litro do álcool pelo valor da gasolina.

Se o resultado for maior que 0,7, deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o álcool. Em Bauru, o valor deste cálculo chegou a 0,86, e quem quiser fazer manter um mínimo de saúde financeira deve optar pela gasolina.

Mas, para economizar mesmo, Cafeo recomenda que os motoristas tentem racionalizar o uso do automóvel e, se possível, tentem combinar com colegas de trabalho ou vizinhos um sistema de rodízio para poder deixar o carro em casa. "É claro que a pessoa perde um pouco de autonomia, mas, nestas situações limites, é preciso usar a criatividade", aponta.

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