Nacional

Ao menos 3 feridos estão em estado grave

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O drama da comerciante Andréa Tavares começou na manhã de ontem, quando recebeu um telefonema dizendo que sua filha, Taiane Tavares Pereira, 13 anos, estava entre as vítimas do ataque na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio.

Ao chegar ao Hospital Estadual Albert Schweitzer, Andréa ficou sabendo que o caso da filha era grave. Os médicos disseram que a estudante da 7ª série foi atingida por três tiros, sendo que fragmentos dos projéteis se alojaram na área da medula.

Segundo Andréa, a filha não estava conseguindo sentir as pernas e corre o risco de ficar paraplégica.

"O que eu quero é ver a minha filha andar novamente", pedia a comerciante, lembrando que Taiane estava praticando atletismo, na modalidade de salto em distância. "Ela estava muito feliz com a possibilidade de vir a competir".

Como o caso de Taiane é grave, a menina foi transferida para o Hospital Adão Pereira Nunes para ser operada.

Ao todos, três das 12 pessoas feridas no ataque estão internadas em estado grave, segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde. Entre os feridos estão dez meninas e dois meninos. A pasta chegou a anunciar 18 feridos, mas o número foi revisto.

As vítimas foram encaminhadas para o Hospital Estadual Albert Schweitzer, Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, Hospital Universitário Pedro Ernesto, Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia e Hospital da Polícia Militar.


Socorro se mistura às lágrimas


Os médicos e enfermeiros do hospital Albert Schweitzer se preparavam para deixar o trabalho às 8h30, após 24h de plantão, quando as crianças baleadas na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio, começaram a chegar.

Todos voltaram para auxiliar no atendimento cuja dimensão não tinham ideia - mas foi realizado em meio à suas próprias lágrimas. Segundo os relatos dos funcionários do hospital, também em Realengo, os profissionais choravam enquanto atendiam os sobreviventes da chacina.

"As pessoas socorriam com os olhos lacrimejados pela situação trágica??, afirmou o diretor do hospital, Dilson Pereira.

A enfermeira Rosilene Carvalho estava deixando o local quando viu a chegada de duas crianças atingidas. Decidiu voltar. "Não parava de chegar criança baleada. O que a gente podia fazer era chorar e ao mesmo tempo atender??, disse Carvalho.

No auditório do hospital, as famílias de mortos e feridos se concentraram em busca de informações. O grupo recebia o apoio de psicólogos e assistentes sociais.

"É difícil se manter neutro, não consegue se manter indiferente, mas tem que ser profissional. Nós temos que passar o apoio??, disse a assistente social Gláucia Pires.


"Socorro, vó"


Em frente à escola, a pensionista Zilda Pereira Nunes, 67 anos, presenciou o desespero das crianças que fugiam do ataque, muitas baleadas. "Um garoto me abraçou e disse "Socorro, vó, me socorre". Ele sangrava tanto que respingou em mim, meu pé ficou todo cheio de sangue.??

Segundo o diretor da polícia técnica científica, Sergio Costa Henriques, as famílias de algumas crianças mortas autorizaram a retirada de córneas e medula óssea.

Comentários

Comentários