Abidjã - O presidente eleito da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, disse ontem ter bloqueado o atual mandatário, Laurent Gbagbo, na residência oficial, e prometeu começar a governar imediatamente o Estado do oeste africano.
Segundo ele, a "normalidade?? no país, parado há quatro meses devido à crise política, será restabelecida.
Gbagbo não reconhece a derrota para o rival nas eleições de novembro - que foram chanceladas pela ONU- e rejeita ceder seu cargo. Ele não se pronunciou hoje sobre a declaração de Ouattara, feita num pronunciamento na TV estatal.
Junto da família, Gbagbo está fechado num bunker na residência oficial, em Abidjã (maior cidade do país), protegido por soldados fortemente armados. No entorno, há forças ligadas a Ouattara, que tentaram invadir o local ontem para prender o rival, mas foram repelidas.
Em pronunciamento aos marfinenses, Ouattara afirmou que o conflito provocado pelo impasse perderá força a partir de hoje e agradeceu os aliados internacionais pelo que qualificou de "restauração da democracia".
Pediu ainda à União Europeia (UE) que revogue sanções impostas aos principais portos do país.
O país é altamente dependente do setor agrícola, sobretudo de cacau - é o maior produtor mundial - e café.
O presidente eleito exortou os cidadãos, por fim, a não participar de atos violentos que alimentem a crise e afirmou que "os autores desses crimes serão punidos".
Com o discurso, Ouattara tentou na prática reivindicar o controle das atribuições de governo, apesar de Gbagbo ter descartado por diversas vezes renunciar ao cargo.
Ontem, a residência oficial foi cercada por soldados da missão de paz da ONU na Costa do Marfim, em tentativa de isolar o grupo de governistas leais ao presidente. Segundo a França, Gbagbo conta ainda com apenas mil partidários - 200 deles na residência presidencial.
Na última segunda, helicópteros da ONU já haviam tomado parte no conflito ao bombardear quatro alvos do mandatário a pretexto de defender os civis de ataques. A iniciativa recebeu críticas de países como Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, que discordam da tomada de partido em meio ao conflito.
Anteontem, forças francesas voltaram a alvejar veículos militares de forças leais a Gbagbo em operação de resgate do embaixador japonês.
O embaixador marfinense na ONU, Youssouf Bamba, disse que o atual presidente "cedo ou tarde será preso e apresentado à Justiça". "Não daremos a Gbagbo o luxo de se tornar mártir", afirmou.