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Crise na saúde sobrecarrega PSs da região

Por Tisa Moraes | Com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A crise instalada no sistema municipal de saúde de Bauru está provocando reflexos negativos no atendimento prestado por outras cidades da região. Cansados de esperar na fila dos pronto-socorros bauruenses, pacientes da cidade estariam migrando para localidades próximas para ter acesso a tratamento médico com o mínimo de agilidade.

Ainda que procurar atendimento na rede pública de outra cidade seja um direito do doente, a situação estaria provocando transtornos em algumas unidades de saúde da região, que não estão preparadas para absorver um aumento súbito e significativo de demanda. Conforme apurou a reportagem, o problema é mais intenso nos municípios mais próximos de Bauru, onde é possível chegar mais rapidamente até mesmo do que a um bairro da cidade.

A 18 quilômetros de distância, Agudos, por exemplo, teria aumentado consideravelmente o número de atendimentos prestados nas últimas três semanas. Segundo o prefeito Everton Octaviani, o movimento de usuários no pronto-socorro teria dobrado neste período, sendo que, atualmente, 30% do volume de usuários seria de pessoas vindas de Bauru.

"Nós sabemos deste aumento porque todo paciente tem uma ficha cadastral e a quantidade de gente de Bauru que está procurando atendimento em Agudos cresceu muito", comenta. Ainda que os surtos de conjuntivite e dengue na região possam ter colaborado para que o Pronto-Socorro (PS) de Agudos alcançasse a marca de 4,6 mil atendimentos por mês em março, ele acredita que a contribuição dos moradores de Bauru para esta estatística não pode ser desprezada.

"É uma situação preocupante, porque o atendimento prestado até então pela unidade começa a ficar comprometido. Antes, se cada paciente esperava, no máximo, 20 minutos para ser atendido, hoje ele está sendo obrigado a esperar 40 minutos", pontua.

Mesmo mantendo o mesmo corpo clínico de dois médicos por turno e a mesma estrutura de atendimento, Octaviani garante que não haverá recusa de prestação de serviço a pacientes vindos de Bauru ou de outras cidades vizinhas. Para ele, a sobrecarga gerada ao PS local só será aliviada com a solução ao menos de parte dos problemas que atingem a rede de saúde bauruense.

"A gente espera que a crise seja logo resolvida para que a gente possa voltar à normalidade de atendimento. Até lá, faremos esforços para conseguir dar conta desta nova demanda em Agudos", pontua o prefeito.


Triagem


Se Agudos promete continuar atendendo os bauruenses sem restrições, o município de Piratininga já informou que adotará, nos próximos dias, um processo de triagem no pronto-socorro da cidade para priorizar o atendimento que realmente tem de ser prestado pela unidade. Conforme informou a assessoria de imprensa da prefeitura, por conta do aumento da demanda, o PS passará a atender somente os casos de urgência e emergência.

Pacientes que apresentarem risco de morte, se forem moradores de Piratininga, serão encaminhados à atenção básica de saúde do município. Já os bauruenses terão de procurar a rede de saúde em Bauru para agendar consulta ou tentar atendimento no próprio PSC ou PS do Jardim Bela Vista.

A medida, ainda de acordo com a assessoria, pretende desafogar a sobrecarga de trabalho dos médicos do PS de Piratininga, além de evitar a falta de medicamentos e materiais para tratamento dos doentes. Desde o início de março, estima-se que cerca de 140 pessoas estejam sendo atendidas por dia na unidade.

Deste total, segundo Gislaine Aparecida Domingos, responsável por preencher as fichas de pacientes que procuram o PS de Piratininga, aproximadamente 30 seriam de Bauru. "A gente também recebe pacientes de Tibiriçá, Cabrália Paulista e Duartina, que também podem estar deixando de procurar Bauru pela demora. Nós temos um médico por turno no PS, mas o atendimento aqui ainda continua sem muita espera. Mas claro que, antes desta crise em Bauru, era mais rápido", aponta.

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Proposta


Conforme noticiou o JC, a falta de médicos, um dos principais motivos apontados pela Secretaria Municipal de Saúde para a crise instalada em Bauru, poderá ser resolvida a partir da sinalização de um grupo de 44 profissionais que já atuam na rede e se dispuseram a manter equipes para atender a população nos Prontos-Socorros Central e do Jardim Bela Vista, além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A única condição exigida é de que o município pague R$ 1,2 mil pelo plantão extra - o mesmo que seria destinado à Fundação UNI, com quem a prefeitura pretende firmar convênio para prestar o serviço na Bela Vista. A proposta ainda está sendo avaliada pela administração pública.

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